sexta-feira, 23 de junho de 2017

quinta-feira, 15 de junho de 2017

DETALHES DA ESTÁTUA DO ROLAND DE ROLÂNDIA - PR.

















HISTÓRIA DO RÁDIO EM ROLÂNDIA By TARCÍSIO MARTINS

Li o relato de Murilo Ferri, que conheci pequeno, assim como seu irmão, sua irmã e seus pais. sobre seu trabalho na Radio Rolândia.. Também trabalhei ali. E criei a frase que quase me deu a demissão, no primeiro momento, mas depois ficou como marca registrada. ZYS31 Radio Clube de Rolândia 1 kilo na antena, falando, para o Paraná, Brasil  e o  mundo... Na época, acredito que entre 1.957 a 1959, os proprietários eram os Dandreas, pai e filho, e o Senhor Amadeu Puccini.  Funcionava na Av. Expedionários,  quase na frente da farmácia . As quintas feiras eram realizados os ensaios para os calouros que iriam se apresentar, caso fossem classificados, no programa das tardes de domingo. Tanto na quinta como no domingo, o auditório ficava lotado, o pessoal se espremia no fundo e nos corredores. Era uma festa.  Aos domingos a radio apresentava a dupla Joãozinho e Lindinha, que para bem da verdade, eram feinhos, mas pessoas divertidas, simples, por isso muito queridos pelos fãs, seguramente a dupla mais famosa da região.  Recebíamos centenas de cartas pedindo nossas fotos. Eu era o locutor oficial da noite, Ciro  Fiala, era o sonoplasta... Formávamos uma boa dupla, e nos divertíamos muito. Ciro foi para Florianópolis, chegou a cabo  e acabou jogando em um dos times da capital de Santa Catarina. faleceu cedo. Vivenciamos algumas estórias que até hoje me faz rir: Em um dos ensaios de calouros em uma certa noite de quinta feira, saiu da plateia, um moreninho magrinho, todo empertigado, bem arrumado,  falando bem. Dandrea filho, apresentador, sabia tudo, ou achava que sabia tudo sobre musica. O que o ilustre vai apresentar? Vou cantar Adeus. Dandrea: Adeus cinco letras que choram, musica e letra sucesso imortalizado na poderosa voz do saudoso Francisco Alves. É esta mesmo? Ato continuo,   o conjunto fez a introdução, e o garoto, dizendo, ADEUS, ADEUS ADEUS, começou a abanar a mão foi  se mandando para  o fundo do auditório, Dandrea desesperado, volta, volta, e o garoto completou, adeus. adeus  e sumiu.   O auditório em peso chorando de tanto rir.. era o Dandrea começar a falar que o publico começava a rir, tivemos de encerrar o ensaio.    Ao que parece o moreninho tinha feito uma aposta com seus colegas que faria isso.  - A Rádio comprou um gravador GELLOSO- duas pistas, branco, lindo... um luxo para uma emissora do interior.  Os Dandreas foram para Guaraci gravar em um circo, um show da famosa dupla CASCATINHA E INHANA.  A dupla autorizou a gravação. Passamos a semana fazendo a chamada para que ouvissem o show da dupla.. ninguém ousava ligar o aparelho. Fomos convocados para uma reunião no escritório para sermos os primeiros a ouvirmos o som do famoso gravador italiano... Foi um fiasco, uma decepção... Rolândia a ciclagem era 60 KVA, enquanto a ciclagem da eletricidade da cidade de Guaraci era de gerador, portanto ciclagem 50 KVA...  diferente... A gravação ficou imprestável, uma lastima. Tempo e dinheiro perdido, mais ainda a explicação para a não apresentação do esperado show.  Barbosa era um diretor preguiçoso, fazia a relação de musicas para cada dia da semana, de apenas um mês, e a mesma lista era repetida em todos os meses.. Mais de cinco mil LPs e o homem usava alguns poucos. Seus textos de propagandas eram extensos e chatos... Comecei a mudar a programação e o modo de apresentação, mais musica e textos enxutos. E ao final de duas ou três musicas, dizia que aquele bloco tinha sido uma oferta dos seguintes patrocinadores.. Fui chamado no escritório e o Dandrea Filho, disse: Sr. Tarcisio tem que entender que a Rádio vive de propaganda não de música... Sr. Dandrea ninguém fica ouvindo apenas propaganda, o que o Senhor Acha. Pois é, eu acho que ficou   bom, mas não seria interessante, duas  musicas ao invés de 3???  Vamos tentar..  Assim foi feito..

A cada mês recebíamos  um long play finíssimo e enorme, 30 minutos de gravação de um único lado, um show, ou parte de um show de alguma rádio americana... Ciro colocava o disco no prato, eu fazia a apresentação e descíamos para tomar um café que ficava na parte de baixo da rádio. Certa noite assim que chegamos e pedimos o café começamos a ouvir shlap, shlap, shlap.. Oh Tonico, vai lá...  arruma ou para essa coisa, seu disco está riscado.. Que nada, eu não tenho radiola, estava ouvindo um programa americano muito bom, e ai deu esse problema... Eu e o Ciro disparamos para fazer o show continuar e rezando para que o Chefe não estivesse na escuta aquela noite.  Dandrea conseguiu contratar um dos melhores locutores esportivos do interior para transmitir os jogos do NACIONAL ATLETICO CLUB, NELO GAINET, uma figura, pessoa educada, muito bem informada, divertida e sem afetação alguma, apesar do seu currículo e fama, procurava nos incentivar e nos ensinava técnicas de respiração, técnica de  dicção,  enfim era um professor nato. Não tinha horário, mas adorava a rádio. Foi contratado pela Rádio Alvorada de Londrina, disse-nos que a oferta era irrecusável.. Uma pena, mais tarde Londrina começou, também  a desmontar bom  time do Nacional. Eu o Ciro, nos divertíamos emendando e misturando as palavras, assim VITÓRIO CONSTANTINO, advogado e diretor do Ginasio Estadual de Rolandia, transformava-se  ou virava VITINO CONSTANTÓRIO. O mesmo fazíamos com as propagandas extensas escritas pelo Barbosa. Camisas e mais camisas, casas PERNAS BACANAS, avenada Interventiba Manoel Ror. Entre outras.. Os Cassetas apenas tiveram a sorte de aparecerem na televisão muitos anos depois.. Ciro pediu para treinar locução, naquela época sem fita cassete, ele era o sonoplasta.  Pedimos autorização da chefia e começamos trocar as posições, ele na locução e eu na  sonoplastia, e foi justamente na propaganda das casa Pernambucanas que aconteceu o desastre.. Ciro soltou a nossa frase completa e não aguentou soltou a maior risada e eu não fui rápido o suficiente para impedir que a mesma fosse ao ar. Dandrea, Amadeu Puccini, Barbosa, todos sintonizados na rádio para ouvir o teste do Ciro. A carreira de locutor quase acabou ali. Foi bronca de todo lado, mas o Ciro acabou sendo contratado porque o locutor da tarde mudou para outra cidade. Passei no vestibular e deixei a rádio, para ser mais tarde professor de Geografia. Foram bons tempos. Gostei do trabalho, tínhamos um excelente convívio, me diverti muito.  O relato pode não ter muita graça hoje para quem Lê, mas foram de fato verdadeiras piadas que nos fez rir muito. E marcaram minha vida para sempre, são parte da minha história vivida em Rolândia, cidade onde cresci, passei a juventude, encontrei minha parceira, Irene ali na frente da casa dos FERRI cidade  de minha família e de amigos verdadeiros e queridos. Amo Rolandia. TARCÍSIO MARTINS

NOTA:

O autor é filho do saudoso Senhor Martins, pioneiro de Rolândia, que possuía uma livraria onde hoje funciona a Funerária Bom Pastor. Ele é professor aposentado em Londrina, onde reside.

COMENTÁRIO:

Li com muito interesse o depoimento do (ainda chamo assim) Professor Tarcísio, do qual fomos alunos no Colégio Santo Antonio. Desconhecia sua passagem pela Rádio e me orgulho em saber que fomos colegas, anda que separados pelos anos. Sua cunhada Claudete é minha amiga no Face. Muito bom sabê-lo saudável e feliz por ter compartilhado boas lembranças! MURILO FERRI


segunda-feira, 5 de junho de 2017

VÍDEO DE JOSÉ CARLOS FARINA RECEBE ELOGIO ( FÁTIMA DE PAULA )

O Sr. Plácido Arrabal, é Sobrinho da Minha Mãe Hermínia Herrero de Paula. Muito Legal Seus Vídeos. Tem Lugares aí em Rolândia, Que eu Nem Conhecia  e vejo através dos seus Vídeos.... Parabéns pela Sua Iniciativa.... Abraço..... FÁTIMA DE PAULA
É ESTE O VÍDEO COMENTADO.

IGREJA DO JABORANDI ( ROLÂNDIA - PR. ) AINDA ESTÁ DE PÉ

FOTOS By JOSÉ CARLOS FARINA

COMENTÁRIO RECEBIDO:


Eu era de São Martinho, mas conhecia bem essa comunidade. Tinha muitos amigos aí. O sentimento é de tristeza ao ver a igreja assim... muita saudade...  tempo bom de viver.  Era uma região muito rica. Ainda é... Muita famílias viveram ali. EZEQUIEL CAMPANER.

RESPOSTA:
Esta igreja foi construída no final da década de 30 né? Foi construída ao lado da fazenda do Sr. Antonio de Paula. Um dos "de paula" (pai do Dorval )  foi proprietário da venda né? Havia tbm uma escola. O ex-prefeito Zé  Perazolo nasceu aí perto... perto daí tbm viveu a família do Sr. Zé Sella... FARINA



















































quinta-feira, 1 de junho de 2017

FOTO ANTIGA DO NAC NACIONAL DE ROLÂNDIA - PR. E BANCÁRIOS

FOTO CÓPIAS By JOSÉ CARLOS FARINA
















JUNIORES DO NAC NACIONAL DE ROLÂNDIA, ANOS 60.
VEMOS AQUI JOEL, ADEMAR, JURA, ZAGUI, LIBERATTI, VALE E MESSIAS.
















TIME DO BANCÁRIOS, MT FAMOSO NOS ANOS 60 a 80.
VEMOS AQUI, CARIOCA, DORVALINO, RENO, ZAGUI, MESSIAS, BARRICA, MIUDO, TICÃO, ODIR  E LIBERATTI.














































IDEM.. BANCÁRIOS...
















BMNCÁRIOS.
VEMOS AQUI TICÃO, JUQUITA, JURA, BARRICA, ODIR, RENO
















terça-feira, 30 de maio de 2017

ROLÂNDIA NORTE DO PARANÁ NOS ANOS 60 e 70

QUASE TODO MUNDO TINHA UM
MINHA MÃE TINHA.
SAUDADE.
O CHEIRO BOM NÃO SAI DO CÉREBRO
O DURO É QUE DE VEZ EM QUANDO UMA GATA CISMAVA EM DAR CRIA DENTRO DELE.
AÍ TÍNHAMOS QUE FAZER AQUELA LIMPEZA ESPECIAL.
ADIVINHEM QUEM SEMPRE SAIA NAS DATAS VAZIAS ATRÁS DE GANCHUMA PARA CONFECCIONAR A VASSOURA QUE VARRIA O FORNO??
AS VEZES A MINHA MÃE FAZIA PÃO COM TORRESMO... NEM CACHORRO COMIA... NÃO SOBRAVA NEM FARELO.
NAS FESTAS DE FINAL DE ANO ERA DAQUI QUE SAIA OS FRANGOS, PERNIS E LEITOAS ASSADAS...
DELÍCIA...
PARECE QUE O SABOR ERA MUTO MELHOR...
COMPARADO COM AS CARNES ASSADAS DE AGORA.
COMO QUASE TODO MUNDO TINHA UM DESTES FORNOS, COM O TEMPO COMEÇOU A FALTAR  GANCHUMA NAS DATAS VAZIAS, AÍ MINHÃ MÃE COMEÇO A USAR OUTROS MATOS. MAS LEMBRO QUE ELA FALAVA QUE VASSOURA BOA É A DE GANCHUMA.
FARINA




MUNDÃO VÉIO SEM PORTERA.

Quem já comeu pão assado assim?

É bom né!

quarta-feira, 24 de maio de 2017

ETTORE e THOMAZIA MARTINI ( SÃO MARTINHO / ROLÂNDIA - PR. )

meus avôs faziam muita caridade e ajudavam quem necessitava. quando o Bradesco entrou em falência em Rolândia foi ele que salvou o banco. pessoas que tinham filhos com doença mental ficavam sobre os cuidados de meus avôs que davam tratamento sem cobrar nada. eles foram uns dos primeiros pioneiros de Rolândia. quem trouxe depois as famílias Serpeloni , Tolari , Leonardi, entre outras famílias de origem italiana para o norte do Paraná. seus nome é Ettore Martini e Thomazia . EUZEBIO DENNER

terça-feira, 16 de maio de 2017

ESTOJO DE APLICAR INJEÇÃO ANOS 50 a 70

um pé na roça

QUEM LEMBRA DESSE ESTOJO DE APLICAR INJEÇÃO?? AS AGULHAS E A SERINGA ERAM REUTILIZÁVEIS....

foto Francisco Rossi

sábado, 29 de abril de 2017

Pioneiro Wendelin Mohr de Rolândia - Pr.

O  Pioneiro Wendelin Mohr  chegou em Rolândia no ano de 1937.  sempre exerceu ofício de carpinteiro. com a força de seus braços construiu dezenas de casas em nosso município. Faleceu dia 29.04.2017, aos 84 anos.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

BIOGRAFIA DO PIONEIRO DE ROLÂNDIA PEDRO POZZOBON


Meu avô veio a Rolândia em 1931 para conhecer as famosas terras vermelhas, onde se plantando tudo crescia,.... Na cidade só tinha uma "picadas" no meio da mata,.. mudou-se em definitivo em 1932, quando meu pai tinha 1 ano de vida. morava aonde hoje está o estacionamento do Banco Itaú, em frente a Rodoviária,... lá instalou uma loja de "secos e molhados. Nos fundos morava com os 5 filhos . Na data ao lado, fez uma oficina mecânica de carroças, a Comag,... não me lembro do nome da loja de secos e molhados. Posteriormente, meu pai Darci Pozzobom, instalou por volta de 1963 a Agrobon, empresa de venda de produtos agrícolas,onde permaneceu até o ano de 1980, onde se dedicou à agricultura. Ele faleceu em 30 de maio de 1982. MARCUS POZZOBON (neto )


LEGENDA FOTO 1:

Pedro Caetano Pozzobon e sua esposa Albina Callegari Pozzobon, em junho de 1980, por ocasião  das bodas de ouro do casal. Logo atrás o filho Darci com a esposa Maria Apparecida, com os filhos Marcus Vinícius e Julio Cesar.

LEGENDA FOTO 2:

Nesta foto .Pedro Pozzobon e seu filho Darci, em junho de 1968. relembramos os áureos tempos em que Rolândia era conhecida como a Rainha do Café, cujo solo era  ( e é ainda) extremamente fértil, gerando pés de café com mais de 2 metros de altura.

terça-feira, 11 de abril de 2017

HISTÓRIA DE ROLÂNDIA

DANIEL STEIDLE

CONTAR HISTÓRIAS... Ainda pode-se apreciar as lajotas históricas do "Bar do Polaco" no centro de Rolândia. Tem também na cidade pequenos trechos de paralelepípedo que fazem o carro tremer e lembrar que antes havia estradas de terra e picadas, logo depois da derrubada das florestas. O passado decora ambientes como o Restaurante Porto Alegre do amigo Peninha Giraldi, se tornam objetos cobiçados de colecionadores ou peças bem guardadas de museus. A amiga Alice Parizi quer doar objetos antigos do sítio da família para o nosso projeto voluntario de Educação Ambiental... Como a criançada adora coisas velhas que contam milhares de histórias! Talvez aí esteja a maior razão de preservarmos nossa história: "ELA SABE TÃO BEM CONTAR HISTÓRIAS".

segunda-feira, 27 de março de 2017

FOTO DO INTERIOR DO HOTEL ROLÂNDIA ( JÁ DEMOLIDO )

FOTOS By ANTONIO CARLOS ZANI


CASAS DE MADEIRAS ZONA RURAL DO NORTE DO PARANÁ

FOTOS By ANTONIO CARLOS ZANI - LIVRO ARQUITETURA EM MADEIRA














































































ERICH e GEERT KOCH-WESER - PIONEIROS EM ROLÂNDIA - PR. BRASIL


A salvação na floresta 


Norte do Paraná serve de refúgio a perseguidos dos nazistas, entre eles um menino que é hoje vice-ministro de Finanças da Alemanha 

Lembrança

Geert Koch-Weser, hoje de volta à Alemanha, viveu na fazenda Janeta entre 1934 e 1969 e ainda sente saudade dela. Os cabelos brancos como neve jogados para trás exibem uma fronte ampla com poucas rugas e uma fisionomia tranquila, mas ligeiramente severa. A expressão marcante do rosto é dominada por olhos azuis muito claros, sugestivos, vivos. Olhos de quem pôde chegar aos 94 anos com aparência de pouco mais de 80, depois de atravessar, ora como testemunha, ora como ator, quase todo o século. O alemão Geert Koch-Weser, nascido em 1905 numa pequena aldeia da região de Bremen (Bremerhaven), nas margens do Rio Weser, mal consegue falar o português. Mas demonstra forte emoção quando lembra "dos mais bonitos anos" de sua vida, 35 ao todo, passados no norte do Paraná, onde ajudou a fundar o núcleo agrário e, mais tarde, a cidade de Rolândia, a cerca de 40 quilômetros de Londrina. 


Resultado de uma das últimas levas da imigração alemã para o Brasil, iniciada há 175 anos, ainda no Império, com a fundação de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, Rolândia tem uma história singular. Foi síntese e espelho dos dramáticos anos 30 e 40. Começou como válvula de escape para o desemprego e a miséria que grassavam na República de Weimar, enterrada em fevereiro de 1933 pela ascensão de Hitler. Rolândia desenvolveu-se ao tornar-se um porto seguro para intelectuais, religiosos, políticos e judeus perseguidos pelo nazismo. 


Em 1930, dois jovens agrônomos alemães, amigos de infância em Bremen, se encontraram nos Estados Unidos. Estavam de volta para casa. Geert vinha de experiências na Rússia, China, Japão e Canadá. Oswald Nixdorf, dois anos mais velho, chegara de Sumatra, na Indonésia, onde trabalhava com colonização. Especializado em agricultura tropical, ele também se aventurara mundo afora, em busca de experiência e sustento. "Disse a Nixdorf que meu pai, ministro na Alemanha, precisava de alguém para iniciar um projeto de colonização no Brasil", diz Geert, com uma lembrança ainda fresca, 70 anos depois. 


Erich Koch-Weser, seu pai, deputado por um partido liberal e ministro do Interior do governo alemão, era, desde 1929, presidente da Sociedade de Estudos Econômicos do Ultramar. Criada em 1927, a instituição tinha como objetivo encontrar saídas para o grande desemprego na Alemanha. Através dela, Erich Koch-Weser negociou com os ingleses da Companhia de Terras Norte do Paraná a compra de uma gleba para instalar a colônia alemã. "Em 1932, meu pai enviou Nixdorf para que pudesse fazer os preparativos para a chegada dos primeiros colonos", lembra Geert. 


Nixdorf foi mais do que entronizador. A Mata Atlântica era fechada, as condições de trabalho severas. "Para os colonos, a maioria desorientados, ele foi um conselheiro muito camarada, altruísta e, com seu grande otimismo, encorajador", disse Geert em depoimento sobre Rolândia para o Instituto Hans Staden, em 1986. Ao todo, 400 famílias alemãs ou de origem alemã foram para a região. A maioria era de colonos nascidos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Cerca de 80 famílias, que chegaram entre 1932 e o início da Segunda Guerra, eram de católicos, protestantes, políticos, intelectuais e judeus que fugiam do nazismo. Entre eles, o próprio Erich Koch-Weser, o filho Geert e o mais jovem deputado alemão da época, Johannes Schauff, ligado à hierarquia católica. Anos depois, muitos fizeram o caminho de volta, como o próprio Geert, seu filho Caio Koch-Weser, hoje vice-ministro de Finanças da Alemanha, e o amigo Bernd Nixdorf .


Antes de deixar a Alemanha, em 1939, Schauff representava a empresa que controlava a Companhia de Terras Norte do Paraná, a Parana Plantations, sediada em Londres. Geert lembra ter sido intermediário de uma operação concebida por Erich Koch-Weser ou Oswald Nixdorf, conhecida como "operação triangular". Por ela, 25 famílias judias puderam escapar do destino trágico em campos de concentração. Também foram beneficiados não-judeus. Com a intermediação da empresa, indústrias alemãs vendiam aos ingleses material para a construção da ferrovia que ligava a região à Alta Sorocabana. Os emigrantes pagavam o material, após vender suas propriedades, e recebiam cartas com que podiam adquirir lotes na colônia de Rolândia. "É comum vermos até hoje, no material ferroviário, registro da procedência alemã", diz Klaus Nixdorf, filho de Oswald, morador de Londrina. 


Foi graças a essa operação que a família de Cláudio Kaphan pôde sair de Sczezin, na Pomerânia, atual região polonesa, e fixar-se em Rolândia. Hoje com 73 anos, Kaphan tinha 10 quando chegou ao Brasil. "Como meu pai era agricultor na Pomerânia, não tivemos tanta dificuldade para trabalhar a terra", lembra Kaphan. Contrastavam com as outras famílias judias e alemãs, chefiadas por representantes da intelectualidade berlinense. Mas o futuro estava lançado e convinha adaptar-se. Como se adaptaram os herdeiros de Schauff, entre eles o filho Nicolau e irmãos. Dono de fazenda em Rolândia, Nicolau Schauff foi um dos fundadores de uma das mais bem-sucedidas cooperativas agrícolas do país, a Corol, hoje presidida por um descendente de italianos. 


Ironicamente, quem mais teve de lutar para vencer a adversidade foi o precursor Oswald Nixdorf. Enquanto a maioria ganhava dinheiro com o boom do café, na década de 50, Nixdorf sustentou um processo de dez anos contra o Estado brasileiro para reaver suas terras. Acusado durante a guerra de ser representante do governo nazista, amargou a expropriação e seis meses de prisão em Curitiba. Quando conseguiu recuperar a fazenda, o boom do café havia passado. Até hoje existem feridas abertas entre os que participaram da saga de Rolândia, embora elas já não sangrem. Nixdorf é figura polêmica entre algumas famílias. Uma ampla reconstituição histórica ainda está por ser feita. 

Edmundo M. Oliveira, de Munique e Rolândia

domingo, 26 de março de 2017

ROLÂNDIA PERDE MAIS UM MARCO HISTÓRICO, TURÍSTICO E ARQUITETONICO

CASA SEDE DA FAZENDA JANETA


ESTA CASA TINHA UMA ARQUITETURA ÚNICA E MUITO INTERESSANTE. FOI PESQUISADA INCLUSIVE PELO CURSO DE ARQUITETURA DA UEL. FAZ PARTE E TEM UMA CAPÍTULO ESPECIAL NO LIVRO DE AUTORIA DE ANTONIO CARLOS ZANI, "ARQUITETURA EM MADEIRA". DESCREVE COM TODOS OS DETALHES AS CONSTRUÇÕES JUDAICO/ALEMÃS  DE ROLÂNDIA E SUAS FAZENDAS BELÍSSIMAS. NÃO SOMENTE A FAZENDA JANETA, MAS TAMBÉM A VEZERODA, SANTA CRUZ, BIMINI, OSTRA E GILGALLA.

A CASA E A FAZENDA É INDICADA COMO UM DOS PONTOS TURÍSTICOS DE ROLÂNDIA, EM VÁRIOS SITES (INCLUSIVE PELO MUNICÍPIO). CLIQUE. SITE DO GOV DO PARANÁ

RECENTEMENTE O RENOMADO PROFESSOR MARCO ANTONIO NEVES SOARES, DE DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DA UEL ENVIOU UMA CARTA À FOLHA DE LONDRINA COM O TÍTULO "CASAS E PRÉDIOS HISTÓRICOS DE ROLÂNDIA E DO NORTE DO PARANÁ", JÁ RECLAMAVA DAS MUDANÇAS FEITAS NA ARQUITETURA DA CASA SEDE DA FAZENDA JANETA, SEM NENHUM ACOMPANHAMENTO TÉCNICO.

A CASA POSSUÍA CERCA DE 4 PASSAGENS SECRETAS. DE UM ARMÁRIO EMBUTIDO DE UM QUARTO A PESSOA PODIA PASSAR PARA O OUTRO QUARTO, E ASSIM SUCESSIVAMENTE, POR MAIS QUARTOS ATÉ SAIR NA VARANDA EXTERNA, OU NO PORÃO.


A Fazenda Janeta cuja denominação surgiu por acaso, quando Dr. Erich Koch Weser e sua esposa (pioneiros e proprietários originais da fazenda) conversavam com os dois filhos, cujos apelidos são Jan e Eta, descobriram que a aglutinação desses nomes, poderia resultar no vocábulo Janeta, nome este que batizaram a propriedade. Sua sede foi construída nos anos 30, em peroba rosa, por carpinteiros alemães.

A inventariante, disse que resolveu desmanchar a casa por causa das constantes invasões e depredações. Antes que algum vândalo ateasse fogo na mesma.

A vocação natural desta casa era ser transformada em uma pousada ou preservada como marco histórico, não só de Rolândia, mas de todo o norte do Paraná. Respeitamos a decisão dos herdeiros. 

Deus abençoe a todos.

quarta-feira, 15 de março de 2017

A RELAÇÃO PARCIAL DOS REFUGIADOS EM ROLÂNDIA ( JOHANNES SCHAUFF )

www.arqshoah.com.br

SCHAUFF, JOHANNES


Data de Nascimento: 19/12/1902

Data de Falecimento: 19/05/1990

Nacionalidade: Alema 

Naturalidade: Stommeln - Koln (Colonia) 

País: Alemanha

Religião: Catolico

Profissão: Politico

Instituição/Associação: Banco Warburg; Parana Plantations London; Cia de Terras Norte do Parana

Cargo / Função: Deputado pelo Partido do Centro 

Tempo de exercício: 1930 a 1933

Relação de pessoas:

Lista de nomes das famílias refugiadas em Rolândia (Paraná) localizada no arquivo particular de Schauff:

Fendel; Schlieper, Stettiner; Koch-Weser; Fust; Dr. Nau; Schauff-Mager; Dietz; Giesen; Bredemann; vom St. Raphaelsverein; bismark; Schrank; Hasselberger; Hans; Graf Galen; Pöhlmann; Fritzsche; Sekles; Kirchheim; Altaman; Lidenberger; Rohr; Heinemann; Kronsfoth; Wohlmuth; Weber; Schneidler; Bamberger; Richter; Schöpflein; Dr. Güth; Levy; Dr. Stein; Lehmann; Lindenberger; Dr. Traumann; Lippman; Dr. Moskowsky; Tessman; Jung; Speer; Sessler; Dr. Wolff; Flatau; Adler; Kuntz; Pawell; Loeb-Caldenhoff; Plüer; Gottheiner; Dr. Sterm; Dr. Maier; Dr. Löwenfeld; Kahn; Dr. Goldberg; Dr. Wasser.


Bibliografia:

CARNEIRO, Maria Luiza Tucci, STRAUSS, Dieter. Brasil, um refúgio nos trópicos - Brasilien, Fluchtpunkt in den Tropen. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.
KOSMINSKY, Ethel Volfzon Kosminsky. Rolândia, A Terra Prometida. judeus REfugiados do Nazismo no Norte do Paraná. São Paulo: FFLCH / Centro de Estudos judaicos da USP, 1985.
Mello, Lucius de. A Travessia da Terra Vermelha - Uma saga dos refugiados judeus no Brasil.

História de vida:

Johannes Schauff foi deputado do Reichstag alemão de 1930 a 1933, quando perdeu todos os seus cargos oficiais. Anteriormente esteve envolvido em uma espécie de colonização interna na Alemanha. Sua experiência na área fez com que fosse nomeado membro da Sociedade para Estudos Econômicos no Além-Mar (Gesellschaft für Wirtschaftliche Studien in Übersee), cujo objetivo era investigar na América Latina locais adequados à colonização alemã. O governo alemão chegou a conclusão de que deveria encaminhar, sistematicamente, grupos de colonos para uma mesma localidade onde, em conjunto, adquirissem terras. Com esse objetivo Schauff viajou para a Argentina e Brasil. Em Londres foi assinado um contrato entre a companhia alemã e a inglesa. Schauff foi incumbido pelos ingleses de executar as transações tendo viajado nove vezes para o Brasil entre 1934 e 1939. Foi intermediário nos negocios com a Ferrostaal, uma das maiores empresas fabricantes de material ferroviário da época.
nJohannes Schauff atuou em Berlim, onde era encarregado de divulgar a oferta de terras no Brasil. Foi por seu intermédio que Ricardo Loeb-Caldenhof (classificado pelos nazistas como ¼ judeu) adquiriu terras (Fazenda Belmonte) localizadas na periferia de Rolândia. Esses trâmites ficaram conhecidos como "negócios triangulares", era possível comprar terras no Paraná através de uma conta vinculada com a Cia Paraná Plantations. Assim, o dinheiro depositado pelos judeus para o pagamento dos lotes não saia da Alemanha. Por este câmbio o comprador recebia um título que lhe garantia um determinado lote de terra. Esta foi uma das raras oportunidades que os judeus tiveram para transferir capital da Alemanha para o Brasil. Aqueles que já possuíam os lotes e um visto de entrada conseguiam salvar-se dos campos de concentração e extermínio.
nJunto ao acervo de Johannes Schauff existe uma lista de nomes que totaliza cerca de 59 famílias (145 pessoas) que teriam se fixado em Rolândia entre 1933-1939. Johannes Schauff teve que fugir para a Itália em 1936 por ter seu nome relacionado em uma lista de pessoas a serem eliminadas pelos nazistas. Schauff era perseguido por duas razões, por questões políticas e por ajudar judeus a fugirem da Alemanha. Refugiou-se no Vaticano para não ser enviado a um campo de concentração. Ali serviu de intermediário numa negociação entre o Papa Pio XII, seu amigo pessoal, e o governo brasileiro que mantinha em vigor circulares secretas contra essa imigração. A iniciativa partiu de dois importantes líderes do catolicismo alemão, Faulhaber, arcebispo de Munique e Berning, bispo de Osnabrück, que apelaram ao Papa em 31 de março de 1939. Essa negociação implicava na liberação de 3.000 vistos destinados apenas aos católicos não-arianos da Alemanha. Devido às dificuldades impostas pelo Brasil apenas 959 vistos foram concedidos por Hildenbando Accioly, embaixador em Roma. Os vistos restantes ficaram "congelados" por Cyro de Freitas Valle e Joaquim A. de Souza Ribeiro, diplomatas brasileiros em Berlim e Hamburgo, que se negaram a concedê-los. Em Rolândia vivem até hoje, várias famílias que ali se refugiaram nos anos 30 e que estiverem envolvidos com esta "empreitada" liderada por Schauff.

Palavras chave:

Alemanha; arcebispo; Argentina; Berlim; bispo; Brasil; catolico; circular; colonizacao; colono; diplomata; embaixador; familia; Inglaterra; judeu; negociacao; negocio; Papa; Parana; refugiado; Rolandia; terra; visto

Entrevista data:27/09/1989

Entrevista - cidade:Rolandia, Parana

* NOTA DO FARINA: Outras famílias de origem judaica/alemã vieram á Rolândia por outros meios, fixando residência, muitos adquirindo grandes fazendas, que hoje são referências em manutenção de reservas de matas e casas com arquitetura de inspiração alemã/europeia.