quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

ROLÂNDIA: DUAS ESTÁTUAS DO ROLAND






O nome de minha cidade natal, Rolândia, deriva do fato de a cidade de Bremen ter presenteado uma estátua de Roland em homenagem à colônia alemã, formando um vínculo tal que se consideram "cidades irmãs".
Roland foi consagrado cavaleiro por Carlos Magno e sua estátua - erigida em várias cidades alemãs a partir do século XIV - simboliza o poder da burguesia frente à nobreza local. Bremen abriga a mais antiga delas.
O vínculo entre as cidades permanece até hoje, sendo que até mesmo Bremen destinou recursos para a APAE de Rolândia.
Mais uma curiosidade: antes, (no tempo da 2ª guerra) Rolândia chamava-se "Caviuna".


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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O MARCO ZERO DA HISTÓRIA DE ROLÂNDIA ( HOTÉIS ROLÂNDIA e ESTRELA )

Os dois hotéis de Rolândia juntos. hotel Estrela e Rolândia, construídos em 1934 e 1935. O 2º pelo carpinteiro alemão Frederico Tolkmit. PAULO DELGADO















ROLÂNDIA RECEBE VISITAS IMPORTANTES EM 1936

HOTEL ROLÂNDIA - Quando recebia em janeiro de 1936 a visita do Interventor Manoel Ribas e comitiva, entre outras pessoas presentes aparecem Arthur Thomas e Willie Davids- foto Studio Londrina. PAULO DELGADO

BARES DE ROLÂNDIA - PR.

FOTO PUBLICADA POR JOSÉ WILLE





Rolândia Lanches, primeira lanchonete estilo americana montada pelo meu pai Devaldo Gilini e pela minha mãe Elza Gilini, em 1965 (hoje é a Salfer). Tinha mesas e bancos fixos do lado e um balcão em U, com bancos fixos também. Ficava ao lado do antigo Cine Bandeirantes, o primeiro do Norte do Paraná a ter cadeiras estofadas (hoje é o prédio da Previdência Social - INSS) e a poucos metros do Cine Rolândia, que ficava na esquina, onde funcionou a Móveis Romera. Nas noites de cinema, eram vendidos mais de 25 quilos só de balas e bombons. Minha mãe fazia mais de 100 baurus todos as noites. E cafezinho, então. Era uma loucura. Eles ficaram ali até meados de 1970.

COMENTÁRIO DE JOSÉ CARLOS FARINA

Aqui tbm funcionava a famosa "pedra", onde se encontravam os corretores de imóveis. Até hoje ainda funciona, mas agora nos bancos do calcadão. Eu frenquentei mt este bar nos anos 80 quando era do Kaoro Naito e nos anos 90 quando era do Zé Espanhol. Muito café, cigarros e conversa sobre políica. O primeiro dono ( Sr. Cezario) matou uma pessoa neste local que o provocou. Nos anos 80 saiu tbm um tiroteio aqui envolvendo o Bernardão e uma outra pessoa... Um pouco mais abaixo, do outro lado da avenida funcionava o Bar do Zanata. Neste outro bar funcionava nos fundos um reservado para jogos de sinuca profissional. Ali encontravam-se todas as noites os mais famosos jogadores do norte do paraná. Cheguei a assistir algumas partidas com profissionais de renome. Corria muito dinheiro... Ao lado do bar da pedra funcionou tbm durante algum tempo o Bar do Chapelão, do Waldemar "Quebra-telha". Um outro bar mt famoso foi o Bar do Biondo, na esquina da Igreja católica. Nas sexta-feiras da paixão, vendia muito para o pessoal que vinha da zona rural. Tinha tbm o Bar primavera do Campaner, na esquina do colégio das irmãs.. o Bar Benfica, onde hoje é o cartório Sacca. O Bar Alecrim, que funciona até hoje na av. pres. Vargas, onde vendem sanduíches de pernil de porco até hoje. Era do japonês depois do Ademar Assuite. Tinha o Bar do japonês Minoro na esquina da expedicionários com interventor que vendia sorvetes... o Bar Triangulo do Takafumi em frente o Correio... Tinha o bar do Kimura em frente a rodoviária... A vitamina do Niquinho.. o Bar do Benedito...  o Bar do Garrincha na saída para São Martinho ( fechou faz pouco tempo)... O bar da Cremilda e o Bar da Simone na Pres. Vargas, que existem até hoje. O Bar Mickey, do Kimiko, em frente a rodoviária, que existe até hoje. No Bar Mickey funcionou o "Senadinho".. hoje o "senadinho" foi para a rodoviária. É que o Bar MIckey não abre mais ao domingos.  Nos anos 50 a 80 funcionava um bar mujto famoso na Boite Paloma Branca. Na Vila Oliveira tinha o Bar do Zé do Rolo. Na Villa Operária o Bar do Zinho. Nos distritos tínhamos as vendas.. mistura de secos e molhados com Bar. Em Pitangueiras a mais famosa era a do Sr. José Benedito Matheus. A venda do Caramuru existe até hoje. A venda do Ceboleiro fechou faz pouco tempo. Estive lá com o pessoal da RPC / rede Globo filmando. No Campinho de Arapongas tinha uma venda linda. Fiz uma reportagem antes do desmanche. Filmagem famosa. Da venda do Bandeirantes e Floresta existem ainda os prédios. A do Bartira ainda funciona, na avenida principal, perto da Igreja. JOSÉ CARLOS FARINA

ROLÂNDIA: BANDA MUSICAL DOS MONTRONE

ROLÂNDIA: ESTÁTUA DO ROLAND SENDO MONTADA NA PRAÇA BENTO MUNHOZ DA ROCHA


Dado Lupion - ROLANDIA MEMORIA

Estátua de Rolando, cavaleiro medieval que dá nome a Rolândia, Década de 50.


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ROLÂNDIA: ESTÁTUA DO ROLAND EM 1960






Monumento aos fundadores em 1960.

FOTO DE ROLÂNDIA NA DÉCADA DE 60






Vagões de madeira em Rolândia 1960

CHURRASCO EM ROLÂNDIA NOS ANOS 70




Paulo Usso João Augusto Calizotti. Sergião e Kendrick.


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domingo, 27 de dezembro de 2015

JOSÉ CARLOS FARINA RECEBE ELOGIO PELO SEU BLOG DE HISTÓRIA DE ROLÂNDIA







Vc tem tudo para reescrever a história política de Rolândia, meu caro José Carlos Farina. Além de fotos, registros, apontamentos, relatos, depoimentos e o fato de ter vivido a história, um talento incomum para a historiografia. Parabéns!

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

NATAIS DOS ANOS 70 EM ROLÂNDIA






Quando aproxima o natal,lembro de Rolândia nos anos 70,me da uma saudade danada. Lembro que a Av. Expedicionáriios ficava toda enfeitada e eu que morava na roça, quando vinha pra cidade ficava encantado. Também me recordo da Casa Caviúna,onde por várias vezes namorei as bicicletas Monareta e não podia compra-la,pois era muito humilde. Hoje graças a Deus posso comprar quantas Monaretas for preciso,pena que não fabricam mais e até a loja Caviúna acabou .



NOTÍCIAS DE ROLÂNDIA - PR. O VERDADEIRO. NESSE JORNAL VIRTUAL VOCÊ PODE CONFIAR. FUNDADO EM 22/11/2010. JOSÉ CARLOS…
NOTICIASDEROLANDIA.BLOGSPOT.COM|POR JOSÉ CARLOS FARINA


domingo, 13 de dezembro de 2015

AQUI TEM HISTÓRIA ( CASAS DE CHIQUITO e BILICA VIEIRA )

13/12/15 - Parte da minha infância passei aqui. Eu e meus irmãos estávamos sempre por aqui brincando e aprontando alguma com os filhos do Chiquito ( Paulinho e Flavio ) e o filho da Bilica ( Estevinho). Meu saudoso pai era amigo e colega de profissão  (corretor) do Chiquito e Estevão (marido da dona Bilica). Hoje todos morando no "andar de cima". As casas foram para o chão. No lugar vai nascer um grande edifício. Um banco. Mas fica aí o registro para a história. Texto e FOTOS By JOSÉ CARLOS FARINA

* O seu Chiquito tem tbm o filho Bráulio, que por ser mais velho não brincava com a nossa turma. E as meninas Cristina e Neusa. A dona Bilica tinha um outro filho, o Edi, que tbm era mais velho. A dona Bilica era costureira. Foi minha "mãe de leite" por uns tempos. A esposa do Seu Chiquito é a dona Lázara.
* Nós brincávamos muito de futebol em frente estas duas casas. Quando a bola caia na casa do Seu Romangholo ele ficava bravo.. com razão... a bola gostava de cair lá... quando o jogo estava gostoso... a dona Bilica chamava o dono da bola ( o EstevInho) e ele saia correndo e deixava a gente chupando o dedo. E o duro é que só ele que tinha bola de capotão... É duro ser pobre... JOSÉ CARLOS FARINA



































FEIRA LIVRE DO ROLÂNDIA NORTE DO PARANÁ

134/12/15 - FOTO By JOSÉ CARLOS FARINA

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

HISTÓRIA DO COLÉGIO ESTADUAL " SOUZA NAVES " DE ROLÂNDIA

http://www.rlasouzanaves.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1

 Este estabelecimento de ensino iniciou suas atividades em 1939 com a denominação de “Grupo Escolar de Rolândia”.     Foi a primeira escola pública de nosso município com apenas duas salas de aula, construídas pelo então prefeito de Londrina Willie Davids.     Entre os anos de 1948 e 1949 foi construído na gestão do governador Moysés Lupyon o prédio de alvenaria com doze salas de aula.      No decorrer do tempo o colégio chegou a trocar de nome para “Grupo Escolar Caviúna”.  O estabelecimento de ensino hoje denomina-se “Colégio Estadual Souza Naves – Ensino Fundamental, Médio e Profissional”, com mais de vinte salas, oferecendo o ensino regular e técnico. Comporta ainda o centro de atendimento ao Deficiente Visual, ensino de Língua Espanhola, sala de atendimento a alunos com Altas Habilidades e Superdotação entre outros projetos.



















































































1ª CONSTRUÇÃO DE 1939

















1º DIRETOR ( DR. VITÓRIO CONSTANTINO ) DE PRETO E DE BIGODE SENTADO, AOS LADO DE PROFESSORES...

domingo, 6 de dezembro de 2015

DR. FRANCISCONI, O PRIMEIRO MÉDICO PREFEITO DE ROLÂNDIA


Tivemos no passado dois médicos candidatos à prefeito. Os
 Doutores Luiz Liberati e Dr. Osni Giordani. Os dois não con-
seguiram o beneplácito popular. Agora pela primeira vez o
 povo terá um médico à frente do executivo. A esperança
 do povo é grande em torno de agora poder ser melhor 
atendido no hospital e postos de saúde. Eu também torço
 para que Rolândia possa figurar no topo da lista das ci-
dades com atendimento nota 10 na área de saúde. Que
 todos os munícipes em ocasião de doenças possam ser bem
 atendidos aqui e que nunca mais precisem  mendigar trata-
mentos em Londrina e Arapongas. É um sonho, mas 
eu sou um sonhador. Deus abençoe Rolândia, seu 
povo e suas autoridades. JOSÉ CARLOS FARINA

OUTROS PREFEITOS
Adalberto Junqueira - farmaceutico
Amadeu Pucini - comerciante
primo lepri - comerciante
José Maria Galvão - Despachante
Rubens Neves - advogado
Horácio  Cabral - militar
Pedro Scomparin - agricultor
Nakano - contador
Eurides Moura - Padeiro
José Perazolo - professor de ed. física
Leonardo Casado -  professor
Johnny Lehmann - dentista
Sabine Giesen - advogada
José de Paula - radialista
Dr. Francisconi - médico

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

CORRETORES DE IMÓVEIS PIONEIROS DE ROLÂNDIA

JOSÉ FARINA e ELOY VIEIRA - 


ANOS 50

JOSÉ VIEIRA  e  ELOY VIERA

ELOY  COM UMA NENÊ NO COLO e  JOSÉ FARINA ( DE ÓCULOS).

OBS.: Além de José Farina e Eloy, lembro-me de Geraldo Furlan, Segatel, Toninho, Pedro Trivelato, Chiareli,
 Chiquito e  José Garso.


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

JUDEUS E NAZISTAS EM ROLÂNDIA ( MATÉRIA ESPECIAL NA FOLHA DE LONDRINA )

FOLHA DE LONDRINA


História Esquecida - Suástica no Norte do Paraná


Região foi local de concentração de simpatizantes do nazismo na década de 1930

Anderson Coelho
"Eles (símbolos nazistas) eram expostos nas efemérides ligadas às ações do partido como o aniversário do Führer", revela o professor Marco Soares
Reprodução/Anderson Coelho
O pavilhão nazista foi ostentado durante a inauguração da escola alemã em Rolândia


Rolândia - A cruz suástica é um dos símbolos mais fortes já criados. Inicialmente representava "sorte", "prosperidade" e "sucesso". Contudo, em função da Segunda Guerra Mundial e da "Solução Final para a Questão Judia" - eliminação dos povos judeus que ocupavam territórios alemães – passou a ter uma conotação totalmente negativa. 

Na década de 1930, o pavilhão com a cruz suástica foi hasteado no Norte do Paraná. A região foi um local de concentração de simpatizantes do nazismo. Segundo o professor de História da Universidade Estadual de Londrina(UEL), Marco Antonio Neves Soares, boa parte dos simpatizantes do nazismo estavam em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina). "Eram pessoas que já tinham se estabelecido em Santa Catarina, mas devido a um problema sanitário, a incidência de febre amarela, se mudaram para Rolândia", expõe. 
Segundo o professor, um deles era August Nixdorf, que montou em Rolândia uma célula do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), conhecido como Partido Nazista. "August Nixdorf usava o termo alemão 'stutzpunkt' (base), ou seja, um ponto de apoio do partido em Rolândia. Não chegou a ser uma agremiação, mas uma célula. Os simpatizantes eram em pequeno número e não tinham muito problema em ostentar o apoio ao regime na Alemanha", declara Soares. 
August exerceu grande influência na vida da Gleba Roland, como era conhecida Rolândia na época. Os primeiros imigrantes alemães vieram para cá por intermédio da Companhia para Estudos Econômicos Além-Mar, criada na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial para solucionar a crise econômica que atingiu pequenos lavradores, incentivando a emigração. Um de seus presidentes foi Erich Koch-Weser, advogado e político liberal que foi um dos fundadores do Partido Democrático Alemão e que também atuou como Ministro do Interior, vice-chanceler e ministro da Justiça. No entanto, durante a Segunda Guerra Mundial, o governo alemão proibiu a saída de dinheiro da Alemanha e a solução encontrada por Erich Koch-Weser e Johannes Schauff , representantes da inglesa Companhia de Terras Norte do Paraná na Alemanha, foi realizar a chamada Operação Triângulo, por meio da qual os alemães sob risco forneciam o dinheiro para compra do material para a construção de uma estrada de ferro e, em troca, recebiam títulos conhecidos como "cartas de terra", que davam o direito de adquirir terras em Rolândia. Cerca de 400 famílias de origem alemã se estabeleceram na Gleba Roland entre 1934 e 1938, dos quais entre 80 e 120 famílias eram de judeus, inclusive assimilados e convertidos. Dessas famílias, 12 chegaram a Rolândia pela Operação Triângulo e tiveram acesso à terra. 
"Sabemos que algumas dessas iniciativas não deram certo. As pessoas compraram o ferro, mas ele não foi entregue à companhia inglesa. Devido ao esforço de guerra, a Alemanha proibiu a negociação do material e aquelas pessoas cujo material não chegou nas mãos da companhia inglesa não obtiveram acesso à terra. Temos aqui no CDPH alguns depoimentos de pessoas que ao chegarem aqui, jamais imaginavam que seriam empregados domésticos ou lavradores que executavam serviço braçal no campo", relata. 
Muitas delas, ao chegar ao Brasil, se depararam com símbolos nazistas como os pavilhões com a suástica do NSDAP e isso as aterrorizou. "Eles eram expostos nas efemérides ligadas às ações do partido como o aniversário do Führer. Há, inclusive, uma foto no dia do aniversário de Hitler em que a poetisa Maria Kahle (1891-1975) se apresentou em uma clareira aberta no meio da mata e declamou versos que tinha escrito em homenagem ao líder alemão", destaca Soares. 
Maria Kahle nasceu na Alemanha em 1891 e veio ao Brasil em 1913, para visitar uma tia, mas não conseguiu voltar por causa do início da Primeira Guerra Mundial. Em 1920 voltou à Alemanha, e conheceu a ordem antidemocrática e antissemita "Der Jungdeutsche". Com a ascensão nacional-socialista, voltou à América em 1934 para fazer propaganda partidária do regime nazista nas colônias alemãs, entre elas, Rolândia. 
Outro evento em que o pavilhão nazista foi ostentado durante a inauguração da escola alemã em Rolândia. Os refugiados judeus se sentiram incomodados com a exposição do pavilhão nazista e não se interessaram em colocar seus filhos na instituição. "A população que era perseguida, os refugiados, pouco vinha para a cidade, enquanto os que eram simpáticos ao nazismo permaneciam no centro do município", aponta Soares. Segundo o professor, os próprios judeus deram aulas para seus filhos ou contrataram professores. "Por isso, os confrontos entre os dois grupos são difíceis de serem localizados em Rolândia." (Leia mais sobre o assunto na página 2).  Vítor Ogawa - Reportagem Local


‘Era a bandeira de um partido político’



Rolândia - Segundo o engenheiro agrônomo Klaus Nixdorf, cuja família não tem parentesco com August Nixdorf, os pavilhões com a cruz suástica eram expostos naquela época como hoje as bandeiras de partidos são expostas em alguns eventos pelo País. "Era uma bandeira de um partido político. Meu pai (Oswald Nixdorf) foi diretor da colonização e era agente consular da Alemanha. Por esse motivo era obrigado a participar do partido, só que ele nunca praticou o nazismo. Quem praticou isso, foi o August Nixdorf, que foi o chefe do partido nazista na região. Só que ao estourar a guerra, ele foi preso e disse que não era ele o chefe do partido, mas o meu pai. Por esse motivo ele foi preso e teve as terras confiscadas", revela. 

Klaus afirma que até hoje não existem provas de que seu pai era nazista. "O pai teve de entrar com um processo judicial para reaver suas terras. Demorou dez anos para que ele pudesse reavê-las", revela. Nesse intervalo, relata que a mãe dele foi desalojada sem nenhum dinheiro e teve de vir a Londrina para procurar famílias que pudessem criar os seus filhos. 
Klaus aponta que se o seu pai fosse nazista praticante, não deixaria nunca entrar 80 famílias judaicas na colônia. "Foi o contrário. Recebeu todas elas de braços abertos e inclusive se hospedaram na casa dele ao chegar a Rolândia", diz. Segundo Klaus, ninguém era nazista em Rolândia. "Eu não posso lhe dizer quantos membros o partido tinha aqui, porque se faz muito mais barulho do que era na realidade. Aqui era mata virgem e era impossível fazer um trabalho grande como poderia ser feito nas grandes cidades. O August Nixdorf não teve tempo de fazer nada. Ele foi preso em Curitiba antes de realizar qualquer atividade nazista", garante. 
Segundo o jornal A Notícia, de Joinville (SC), em nome da segurança nacional, suspeitos de apoiar os países do Eixo foram detidos no Estado em 1943. Entre eles estava August Nixdorf, que foi preso na cidade de Porto União. Klaus diz que não chegou a ter contato com August. "Eu tinha 9 anos, e numa dessas festas devo ter conhecido ele, mas não me lembro dele. Muitos anos atrás me ligou, da Alemanha, uma senhora, provavelmente esposa dele, que gostaria de saber onde ele foi parar. Não pudemos informar", revela. 
Depois veio uma informação de que ele estava em Joinville (SC) e morreu por lá. "Estive em uma viagem do grupo germânico e pedi a um advogado para que buscasse onde ele estava enterrado para provar que ele não era irmão de meu pai." Segundo Klaus, os "documentos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) indicavam isso, mas era uma mentira inventada por August". "Ao ter as terras confiscadas, meu pai perdeu os melhores anos do café e recebeu a propriedade totalmente arrasada", lamenta. 
Além de Rolândia, o professor Marco Soares revela que um filme da década de 30 do século passado mostra imagens de muros pintados com a cruz suástica em Cambé. "Nós temos um filme feito em Cambé no final dos anos 30 onde há a suástica pintada em algumas propriedades, em alguns edifícios no centro da cidade, no comércio. Mas não temos nenhuma informação sobre isso. O filme é mudo. Mas se tem a suástica, ou tem nazistas ou quem eles assombram, ou seja, gente demonstrando a ideologia nazista ou alguém sabendo que aquilo pode amedrontar os outros", observa.(V.O.)

História Esquecida - Judeus sepultados no São Rafael

Cemitério na área rural de Rolândia abriga também túmulos de católicos e luteranos de origem alemã

Gina Mardones
A maioria das lápides de judeus tem estampada a Estrela de Davi, símbolo do Judaismo


Rolândia - Muitas famílias de origem hebraico-alemãs estão sepultadas no Cemitério São Rafael, mas a maioria é de origem católica e luterana. Existem também outras etnias que ajudaram a colonizar Rolândia, como suíços e eslavos. A maioria das lápides de judeus tem estampada a Estrela de Davi, símbolo do Judaismo, mas há algumas famílias de origem judaica que preferiram apenas colocar o nome dos mortos. 

Na dissertação de mestrado "Entre dois mundos", de Marcos Ursi Corrêa de Castilho, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o autor menciona o depoimento de Pedro Bernardy, um descendente de alemães cuja família chegou a Rolândia em 1935. De acordo com o depoimento de Bernardy e reproduzido por Castilho, o início da colonização de Rolândia se deu pela Estrada São Rafael. O Cemitério São Rafael, que fica na região, possui 14 quadras com 379 terrenos. 
Segundo Bernardy, as quadras do lado esquerdo eram reservadas para a religião luterana, as da direita para os católicos e as do fundo, dos dois lados, para os de outras religiões, basicamente os judeus. 
A reportagem tentou conversar com alguns dos descendentes de alemães que vivem em Rolândia, mas como já estão na terceira ou quarta geração, poucos sabem da história do período da Segunda Guerra Mundial ou preferem se abster de fazer qualquer comentário. 
O Cemitério São Rafael possui um cenário bastante bucólico e fica próximo da capela de mesmo nome construída em 1958 e que possui uma torre revestida de pedras. A necrópole conta com belas árvores e é extremamente bem cuidada, com muitas flores sobre os túmulos, como se fosse um jardim. No local estão os túmulos de Erich Koch-Weser, ex-ministro alemão, e de Max Herman Maier, advogado de Frankfurt que se tornou "cafeeiro na mata do Brasil". De origem judaica e conselheiro na associação assistente dos judeus na Alemanha, ele deu apoio a outros judeus que pretendiam sair da Alemanha e tornou-se, ao lado de Erich Koch-Weser, guardião de toda a cultura intelectual e da tradição clássica da Alemanha, combatendo a ideologia nazista e apoiando, de maneira ativa, os movimentos antinazistas e antifascistas no Brasil. Seu escritório na Alemanha serviu de fachada para articular vistos e documentos para aqueles que desejassem sair do país. 
Em entrevista à historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, a esposa de Max Herman Maier, Mathilde, revelou que para vir ao Brasil teve de subornar o cônsul do Brasil na Alemanha. Muitos dos judeus que estavam no mesmo navio tinham passado por campos de concentração, estavam com cabeças raspadas e tinham estampados em seus passaportes a letra J em vermelho, que identificava os judeus. 
Para Klaus Nixdorf, uma das provas de que seu pai não era nazista foi o fato de que foi sepultado no Cemitério São Rafael ao lado de muitos judeus. "Mais uma prova de que os judeus se davam bem com os alemães e que estavam trabalhando debaixo de um chapéu, senão não seriam enterrados no mesmo cemitério. A amizade era muito grande. Meu pai era muito amigo dos judeus", garante.  Vítor Ogawa - Reportagem Local

Nazismo em Rolândia

Parte da História de Rolândia que Poucos Conhecem e outros tantos escondem

CAPA DO LIVRO "ABRIGO NO BRASIL" de Gudrun Fischer

Prefácio
“Uma pesquisa do IBOPE realizada em março de 2001 mostrou que 89% dos brasileiros nunca ouviram falar do Holocausto e 32% não sabem que houve um extermínio em massa de judeus pelos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial. Os resultados do levantamento não surpreenderam. Em vista das deficiências do sistema educacional no Brasil, o nível de conhecimento de grande parte da população é muito baixo. Se a maioria dos brasileiros desconhece sua própria história, não é de estranhar que haja ignorância em relação ao que aconteceu na Europa sob o regime nazista…” (Henry I. Sobel).
O livro
A escritora alemã Gudrun Fischer transcreve em seu livro “Abrigo no Brasil” relatos surpreendentes de mulheres judias alemãs que fugiram da Alemanha nazista e vieram para Rolândia. Mas mesmo longe da loucura do Führer*(Hitler), o medo continuou presente em suas vidas. Suas lembranças são comoventes e dolorosas, estimulantes e informativas. Cada uma elabora a fuga de forma diversa, o que se reflete na variedade dos relatos: ora irônicos, ora secos, alguns sintéticos, outros minuciosos e detalhados.
Para que os leitores e leitoras passam conhecer um pouquinho mais sobre o assunto, transcrevo abaixo fragmentos do citado livro, pois não podemos ignorar o passado, sob pena de vagar cegos no futuro.
Fuga em massa
“Algumas fontes informam que cerca de 10 mil fugitivos alemães judeus se instalaram no Brasil durante o período nazista (…).Fischer, Gudrun. Abrigo no Brasil. São Paulo,2005.P.154.
“(…) Ao todo, cerca de 155 mil alemães emigraram para o Brasil; deles, 90 mil chegaram antes da Primeira Guerra Mundial. Em 1937, havia cerca de 1 milhão de alemães ou descendentes de alemães no país (dados de Emílio Willens, citado por Ethel Kosminsky, 1985) (…)”.Fischer, Gudrun. Abrigo no Brasil. São Paulo,2005.P.149.
Nazismo em Rolândia
“A maioria dos descendentes alemães simpatizantes do nazismo em Rolândia, tinha vindo dos outros estados do Sul, para o Norte do Paraná. Mas alguns nazistas emigraram da Alemanha para Rolândia, entre os anos de 1930 e 1950(…)”.
“Havia pessoas influentes em Rolândia que eram comprovadamente nazistas (…)”. Fischer, Gudrun. Abrigo no Brasil. São Paulo,2005.P.162.
Proibido falar alemão
“A partir de 1942, não era mais permitido falar alemão em público no Brasil, e escolas alemãs foram fechadas. Essa lei também valia para os judeus. Em Rolândia, alguns judeus ficaram presos por alguns dias por falar alemão nas ruas. E quem fosse viajar precisava trazer consigo um salvo conduto.” Fischer, Gudrun. Abrigo no Brasil. São Paulo,2005.P.164.
Frases das entrevistadas
“Todos os dias, na escola, (na Alemanha) nós tínhamos que dizer `Heil Hitler` e `Hitler é o nosso Deus”. (Ruth Kaphan)
“Quando descemos do navio, eu disse a mim mesma: “quero apagar tudo que marcou a minha vida por 18 anos”. (Susanne Behrend)
“Sempre serei grata ao Brasil” (Brigitte wendel)
Para saberem muito mais coisas, coisas que eu não posso escrever aqui, adquira o livro.
O livro custa apenas R$33,00 e pode ser adquirido pelo site www.submarino.com.br