sábado, 28 de setembro de 2013

CASA DA ÁRVORE - INFÂNCIA NOS ANOS 60 - NORTE DO PARANÁ

Eu tinha uma.. no meu pé de "Santa Bárbara". usava para ler gibis, estudas e brincar. Tinha cipo e  um arco e flexa igual ao do Tarzan. JOSÉ CARLOS FARINA


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

MINHA INFÂNCIA EM ROLÂNDIA - NORTE DO PARANÁ - ANOS 60




SOU DO TEMPO DOS CARRÕES CONVERSÍVEIS... DO TEMPO EM QUE COMEÇOU O ROCK AND ROLL... NOS TEMPOS DA BRILHANTINA... CALÇA BOCA DE FUNIL...  BOTINHAS... TEMPOS DOURADOS... IÊ´´IÊ..IÊ... CADEIRAS NAS CALÇADAS... BAILINHOS... GORDINES.. KHARMAN GHIAS... FUSCAS... SOU DO TEMPO EM QUE SE DANÇAVA DE "ROSTO COLADO"... MÚSICA LENTA.. SOU DO TEMPO DOS "BEE GEES"...  DO TEMPO DA "CUBA LIBRE"...  DO TEMPO EM QUE TOMAR UM PORRE ERA TOMAR UMA  CAIPIRINHA OU UM "RABO DE GALO" PARA CRIAR CORAGEM NOS BAILES... DO TEMPO EM QUE APRONTAR ERA FUMAR ESCONDIDO OU FURTAR O PÃO QUE O PADEIRO DEIXAVA DE MADRUGADA NAS CASAS... SOU DO TEMPO EM QUE O ALUNO ERA LEVADO A DIRETORIA SE NÃO FIZESSE A LIÇÃO DE CASA... SOU DO TEMPO EM QUE FALAR PALAVRÃO ERA MANDAR ALGUÉM  "À M...."... SOU DO TEMPO EM QUE SE PEDIA A BENÇÃO PARA OS PAIS... DO TEMPO EM QUE OS FILHOS AMAVAM E RESPEITAVAM OS MAIS VELHOS... DO TEMPO EM QUE OS FILHOS AJUDAVAM OS PAIS... SOU DO TEMPO EM QUE TODOS OS PAIS LEVAVAM OS SEUS FILHOS NA IGREJA E DAVAM BONS EXEMPLOS... SOU DO TEMPO EM QUE A CRIANÇADA SE REUNIA TODO DIA PARA CONVERSAR E BRINCAR...  SOU DO TEMPO EM QUE UM MENINO OU MENINA GANHAVA UMA OU DUAS ROUPAS POR ANO... SOU DO TEMPO EM QUE IOGURTE, COCA-COLA E MAÇA ERAM ARTIGOS DE RICOS...  SOU DO TEMPO EM QUE BRINQUEDO BOM ERA UM CARRINHO DE ROLEMÃ...  BIBLIOQUÊ... PEÃO  E BOLINHAS DE GUDE... SOU DO TEMPO EM QUE AS CRIANÇAS BRINCAVAM NA RUA ATÉ DE NOITE E NÃO HAVIA PERIGO... NO MÁXIMO ALGUMA BRIGA COM SOCOS... UM OLHO ROXO... SOU DO TEMPO EM QUE 90% DAS CRIANÇAS ANDAVAM DESCALÇOS, COM ESTILINGUE NO PESCOÇO E EMBORNAL CHEIO DE PEDRAS DO LADO... SOU DO TEMPO EM QUE MOLEQUE SÓ COMIA FRUTA SUBINDO NA ÁRVORE.. SOU DO TEMPO EM QUE QUASE TODO MENINO FAZIA O SEU PRÓPRIO BRINQUEDO USANDO SERROTE, MARTELO, ARCO DE PUA E FORMÃO.. SOU DO TEMPO EM QUE QUASE TODA A FAMÍLIA POSSUÍA UM HORTA NO FUNDO DO QUINTAL... ADUBADA SÓ COM ESTRUME DE VACA, CAVALO  OU PALHA DE CAFÉ... SOU DO TEMPO EM QUE UM MENINO DE 8 OU 10 ANOS JÁ SABIA CARPIR UM QUINTAL.. CAVAR UM CANTEIRO DE VERDURA E SEMEAR E PLANTAR HORTALIÇAS... SOU DO TEMPO EM QUE ÍAMOS NO SÍTIO DO MEU AVÔ E VOLTÁVAMOS COM O CARRO CHEIO DE VERDURAS, FRUTAS E FRANGOS... SOU DO TEMPO EM QUE A PREFEITURA PRECISAVA AGUAR AS RUAS POR CAUSA DA POEIRA... SOU DO TEMPO EM QUE OS POLÍTICOS ERAM MAIS HONESTOS... DE UM MEIO AMBIENTE MELHOR... DE TEMPO EM QUE TÍNHAMOS MUITAS PESSOAS MORANDO NA ROÇA... DO TEMPO EM QUE SE COMIA MELHOR... COMIDA SEM AGROTÓXICO... DO TEMPO EM QUE O LEITEIRO TRAZIA O LEITE TODO DIA NA CIDADE COM SUAS CARROÇAS... DE CASA EM CASA... DO TEMPO EM QUE O PADEIRO ENTREGAVA O PÃO DE CASA EM CASA... DE MADRUGADA... COM SUAS CARROÇAS... SOU DO TEMPO EM QUE SANDUÍCHE ERA APENAS  PÃO  E MORTADELA... SOU DO TEMPO EM QUE COMER BEM ERA ARROZ, FEIJÃO, SALADA, BIFE E GUARANÁ ANTÁRTICA ... SOU DO TEMPO EM QUE MACARRONADA ERA A COMIDA ESPECIAL DO DOMINGO... SOU TEMPO EM QUE O CINEMA ERA MÁGICO... SOU DO TEMPO EM QUE ASSISTIR TARZAN  OU BONANZA ERA O MÁXIMO... TODOS PARAVAM PARA ASSISTIR... SOU DO TEMPO DOS IRMÃO CORAGEM E DO BEM AMADO... SOU DO TEMPO DAS PAIXÕES SECRETAS POR RAQUEL WELCH E JANE FONDA... DO TEMPO EM QUE OS RIOS TINHAM ÁGUA LIMPA... DO TEMPO EM QUE SE PODIA ANDAR PELAS RUAS DE MADRUGADAS SEM MEDO DE NADA... EU VIVI OS ANOS DOURADOS.. EU VIVI OS ANOS 60 NO NORTE DO PARANÁ... JOSÉ CARLOS FARINA

COMENTÁRIOAparecida Herrmann só saudades Farina e a culpa é nossa, achavamos que tinhamos "Pais" rigidos demais que eram quadrados e tudo o mais então as vezes falavamos (ou pensavamos) quando eu crescer e tiver meus filhos vou dar a eles tudo que não tive,ta ai a resposta eu que hoje tenho meus filhos me sinto culpada por ter sido como dizem tão condenscendente,certo estavam os meus "Pais",o mundo evoluiu claro que bom,mais em muita coisas regredimos nós, eu tenho saudades desse tempo e Graças a Deus ainda temos muita coisa boa acontecendo belo texto

COMENTÁRIOS: 
  • José Carlos Farina Nos anos 60 só rico tomava coca-cola... fui tomar minha primeira coca-cola só nos anos 70...   
    Marlene Grotti Me lembro que lá por 1970 quando entrei na 1º série, tinha uma coleguinha que não ia para escola se eu não passasse na casa dela ( o pai dela foi varias vezes até a escola me buscar para que ela fosse a escola) . Eu chegava na casa dela bem na hora do almoço e sempre tomava um copo com Crush oferecido pela mãe dela. Depois de algum tempo me habituei a tomar refrigerante. Na minha casa nunca tinha, nem nos aniversários.  
    Clóves Vasconcelos Jr. Lendo suas espontâneas reminiscências, amigo Farina... pensei que éramos vizinhos aqui em Buriti Alegre-Go., ou que morávamos na mesma casa, tamanhas as coincidências de lazer e valores!!!... Isto amigo, se chama "berço esplêndido"... educação de ponta, com puros exemplos...

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

VENDAVAIS EM ROLÂNDIA

Marlene Grotti No início dos anos 80, não sei precisar a data , aconteceu algo parecido. Derrubou a parede inteira da beneficiadora de algodão que ficava às margens da Br 369 e danificou um silo da COROL. O meu pai morava na saída para São Martinho e por sorte a casa dele não foi danificada, mas a casa da frente foi destelhada e a serraria do meu avô que ficava nos fundos também foi danificada. O que disseram que era um furacão ou tufão descia e subia, tocando o chão e causando prejuízos e saltando por sobre a cidade. Me lembro vagamente, mas parece que até morreu gente atingida por raio.
COMENTÁRIO: Sim.. lembro-me.. destruiu o silo da Olerol..e arrancou árvores inteiras...  mas veja este aí do ano 2010...


sábado, 21 de setembro de 2013

ANOS 40, 50 e 60 EM ROLÂNDIA

POEIRA, LAMA, FUMAÇA E ESCURIDÃO
“Poeira, lama, fumaça e escuridão”. Teriam estas palavras sido extraídas de livro de Apocalipse? Não, estamos nos referindo à Rolândia dos anos 40, 50 e 60Quem anda pelas amplas e arborizadas avenidas de nossa cidade e desconhece nossa história não tem a menor ideia de como era Rolândia  a  50 ou 60 anos atrás. Famosa por sua fertilidade, a terra vermelha do norte do Paraná, atraiu imigrantes de todo Brasil e de diversas partes de mundo. O povoamento de Rolândia começou pela zona rural por volta de 1932, sendo feito predominantemente por paulistas, mineiros, nordestinos e imigrantes (italianos, portugueses, espanhóis, japoneses, alemães, ucranianos, poloneses e libaneses). Estes desbravadores, em um primeiro momento, compravam um lote no meio da mata e depois vinham desmatando suas terras,construindo precários barracos de palmitos e, mais tarde, residências definitivas, com a própria madeira que haviam derrubado e formando suas lavouras. As pessoas menos favorecidas continuavam morando nos ranchos improvisados feitos de lascas de palmito, chão batido e coberta com tabuinha ou folhas de palmitos, colocadas de forma a evitar goteiras de chuvaO desmatamento da região se deu de forma tão acelerada que em um período relativamente curto nossa geração pode testemunhar a transformação da densa mata atlântica em prósperas cidades rodeadas por incontáveis propriedades agrícolas. Nos locais ainda não desmatados era possível encontrar onças, cobras, macacos, pacas, tatus, tamanduás, cervos, catetos, capivaras, quatis, queixadas, antas, macucos, nambus, papagaios, araras, periquitos, jaburus, arapongas, jacus, etc. Nesta época, em função da proximidade da mata eram comuns picadas de insetos peçonhentos e cobras.  Assim, em meados de 1934, começaram a ser erguidas  as primeiras edificações urbanas. A primeira porção a ser aberta, com machados,foices e enxadões foi na Avenida Presidente Vargas, (Hotel Rolândia, Hotel Estrela e padaria do Max Dietz). Rolândia começo de fato por ali. Na cidade predominavam as casas de madeira, sem pintura, com tábuas serradas manualmente, construídas em uma clareira, ou seja, em um local em que se derrubavam árvores e construíam as casas, tendo como limite, uma parede de árvores altas. Nesta época, caminhões traziam as mudanças dos imigrantes.  O principal fluxo de imigrantes era constituído, além dos caboclos desmatadores, de pessoas que trabalhavam na lavoura (peões, empreiteiros, sitiantes e colonos). Os peões em geral chegavam em caminhões conhecidos como “pau de arara”. Mas havia também os compradores de terras (jacus) corretores de imóveis (picaretas)carroceiros, lenhadores, caminhoneiros, profissionais liberais e comerciantes de diferentes ramos de atividade, que permitiram que os rolandenses fossem progressivamente diminuindo a dependência das compras em Cambé ( Nova Dantizg) e Londrina. Uma atividade que cresceu nos primeiros anos foi o ramo de serraria. Pois o desmatamento intenso e o processo de construção de casas utilizando madeira, fez com que Rolândia chegasse a ter  várias serrariasO enorme fluxo de pessoas que vieram atraídas pelas terras férteis e com preços baixos fez a população do norte do Paraná se elevar de 720 mil para 3,5 milhões de habitantes entre 1940 e 1970.  Com base no recenseamento de 1940 para o município de Londrina (que incluía: Rolândia, Marilândia do Sul, Cambé, Tamarana, e Faxinal) verificamos que mais da metade da população (75.296 habitantes) tinha menos de 20 anos: 33,6 % abaixo de 10 anos e 23,06 % entre 10 e 19 anos. Nesta época a maioria absoluta destes jovens e crianças estava trabalhando e uma parcela muito pequena frequentava a escola. A participação de crianças era importante nas atividades agrícolas. Por exemplo, uma criança de cinco anos já poderia ajudar a levar água e refeições para os que estavam trabalhando na roça. Os adultos entre 20 e 39 anos representavam 29,52% da população e a principal força de trabalho. Como a expectativa de vida da época era relativamente baixa, em torno de 45 a 50 anos, os que tinham 40 anos ou mais (13,82%) já eram considerados “velhos”, estando assim distribuídos: 40-49 anos (7,44%), 50-59 anos (3,88%); 60-69 anos (1,71%); 70-79 anos (0,56%) e 80-89 anos (0,22%). Na faixa etária, entre 30-59 anos, havia 10.316 homens e 6.448 mulheres. A maior população masculina seria decorrente do fato de que nesta época, em geral, apenas o homem saia de casa para viver sozinho e mesmo os casados poderiam vir antes da família, planejando trazê-las após obter condições mais apropriadas. Além de ser predominantemente jovem, as famílias que vinham “tentar a vida” eram relativamente númerosas. Por exemplo, meus pais tiveram tiveram 6 filhos e meus avós maternos  7  filhos. A população era predominantemente branca (85%) havendo ainda: pardos (7%), amarelos (5%) e negros (2%). Quanto à religião a maioria era católica (87,3%), seguida de evangélicos (6,2%), budistas (2,9%), espíritas (0,9%), católicos ortodoxos (0,7%), outras religiões (1,7%) e sem religião (0,16%).  Com o rápido desenvolvimento do Norte do Paraná, não havia como atender a demanda por energia elétrica e o governo estadual tinha poucos recursos para esse fim. Diante disso, a população ficava sempre às escuras. Ogeradores viviam pegando fogo e espirrando óleo, logo foram apelidados de “vulcões”. Mesmo com a chegada da Copel (1956), inicialmente pouca coisa mudou e, volta e meia, alguém incendiava um poste para mostrar seu descontentamento.  Na falta de energia elétrica a iluminação era feita com velas, lamparinas ou lampiões a querosene. Alguns mais afortunados possuíam geradores (motor Diesel) ligados ao anoitecer e mantidos até as 22:00 horas. Em estabelecimentos como hospitais, a presença de um gerador era imprescindível. A única opção aos geradores, eram as companhias privadas de eletrificação que via de regra, ofereciam serviços ruins e caros. Nesta época, o povo chamava os postes de madeira de “palitinhos” e as lâmpadas de “tomates”, pois estas apenas ficavam vermelhas, iluminando muito poucoA cidade só começou a se livrar dos geradores em 1958.  Outro problema era a falta de higiene: lixo nas ruas, transporte de alimentos em carroças, abatimento de animais na beira do córrego eram fatores que contribuíam para a elevada ocorrência de infecções. Nesta época, a febre amarela silvestre, malária, febre tifóide, gastrenterites e disenteria eram comuns. Em relação às crianças, as principais- 6 - causas de morte, além da disenteria era o chamado “mal dos sete dias”, uma forma de tétano no recém nascido, provavelmente causado por partos sem assepsiaAs instalações sanitárias eram casinhas de madeira sobre fossas comuns, no fundo do quintal e que tinha apenas um buraco coberto por um assento de madeiraNesta época, embora existissem regras bem definidas para a distância entre o poço e a fossa era comum a contaminação da água do poço pela água da fossa. Tomava-se banho em uma bacia metálica usando água retirada com auxílio de um balde de um poço com mais de 20 metros de profundidade. Porém, no inverno era preciso esquentar a água no fogão a lenha antes de usa-la no banho. Para escavar os poços havia o “furador de poço”( poçeiro). Estes profissionais também eram frequentemente chamados para “cavar mais fundo”, porque com o desmatamento acelerado, os lençóis freáticos diminuíam e a água do poço desaparecia. O café era torrado no quintal da casa no torrefador, que consistia de uma “bola de metal” que era colocada no fogo, apoiada em um dispositivo que permitia girá-lo manualmente. Este processo era bastante cansativo, demorado e extremamente desconfortável, principalmente quando realizado em dias quentes. Mas a falta de energia elétrica, a falta de higiene, a falta de um sistema de saneamento básico não eram os únicos problemas. Pois a mesma terra vermelha que por sua fertilidade gerava riquezas também gerava um pó finíssimo, altamente penetrante e que ficava suspenso no ar por tempo indefinido. O relato de John dos Passos, viajante inglês, ao descrever Rolândia, em 1954, nos dá uma idéia do problema: “Na cidade, a poeira era insuportável, mas nos arredores era de sufocar. Os lenços com que tentávamos enxugar os rostos suarentos ficavam manchados de vermelho. O nosso guia notou que nós estávamos sentindo sufocados e disse à guisa de consolação que não nos devíamos preocupar com a poeira. Um médico dali, muito bom por sinal, havia descoberto que a poeira de Rolândia, estava impregnada de terramicina. A poeira  curava qualquer infecção”. (Fonte: "O Brasil Desperta", tradução: Pinheiro de Lemos, Record, RJ, 1964). Naquela época, quando se andava a pé e passava um carro, era preciso fechar os olhos e esperar até diminuir aquela poeira fininha que irritava os olhos. Mas, ainda era melhor do que quando chovia e os carros podiam jogar água e lama.  Por esta razão era comum a expressão: “é poeira pra todo lado”, uma poeira que ficava impregnada, entranhada na pele, na roupa e na alma. Menos ao assoar o nariz, quando saia pelas narinas uma pelota de barro vermelhaA poeira ficava no ar por tanto tempo que servia de referência aos pilotos sinalizando a localização dos aeroportos. Pois a poeira levantada pelas hélices dos aviões (chamados de teco-teco) poderiam sinalizar aeroportos a uma distância de 50 km. Neste tempo, o “caminhão pipa” da prefeitura lançava água nas ruas para reduzir aquela poeira fininha e vermelha que ia penetrando em tudo: nas casas, na roupa, na pele e dando a tudo, inclusive às pessoas um aspecto avermelhado, razão pela qual fomos apelidados pelos habitantes de outras regiões do Brasil de “pés vermelhos”Mesmo quem não tenha vivido em Rolândia nesta época pode imaginar o grande desafio que era manter a limpeza da casa e das roupas. O excesso de poeira conferia à cidade um aspecto avermelhado e sujo que só começou a ser amenizado com o calçamento. A primeira quadra calçada em paralepípedos foi iniciada na de´cada de 40, na Av. Expedicionários, enquanto o asfaltamento da cidade se iniciou na década de 50Mas nem tudo era poeira. O calor produzia suor que atraia insetos (borrachudos, mosquitos e pernilongos); e em períodos de seca a fumaça das queimadas (método utilizado visando limpar a terra para o plantio) se intensificava gerando muita poluição. Quando não tinha pó tinha lama. Durante as chuvas as ruas se transformavam em inacreditáveis atoleiros. Segundo o relato de pioneiros durante as chuvas a Avenida Expedicionários se transformava em um córrego. Dai uma frase popular desta época: “Rolândia: cidade de fama. Quando não é poeira é lama”Devido a presença da mata fechada, a cidade tinha um clima muito mais úmido que o atual e as chuvas eram muito mais frequentes do que hoje. Naqueles tempos, um importante acessório era o raspador de barro (conhecido como “chora paulista”), instalado na entrada das casas e lugares públicos. Havia vários modelos. Na entrada da residência dos meus pais o raspador de barro era feito com uma  enxada, fixado no chãocom a porção cortante virada para cima. Além de limpar os sapatos e botas, o raspador de barros aliviava o peso nos pés. Pois a medida que o barro ia secando formava uma crosta espessa e pesada onde se fixava o barro ainda mole. Ao mesmo tempo em que era altamente aderente o barro era extremamente escorregadio. Por esta razão, eram comuns nos dias de chuva, os tombos na lama, em especial quando se tentava atravessar terrenos um pouco mais inclinados. O barro e a chuva criaram as expressões:amassando barro (caminhando na lama); foram muitos dias de lama (choveu por muitos dias); limpe os pés antes de entrar (usar o raspador de barro antes de entrar em casa), tirou o pé da lama (ficou rico), ficou atolado na lama (literalmente: ficou atolado na lama). Em dias de chuva, mesmo de bicicleta era muito difícil se deslocar, porque a lama ia se acumulando no pneu e a partir de um dado momento só havia duas opções: ir “empurrando a bicicleta ou levá-la nas costas”. Se em dias de chuva caminhar na cidade era difícil, sair de Rolândia era uma aventura, sem garantia de chegada, mesmo em trechos relativamente próximos. Para transitar na zona rural só  usando carros com tração nas quatro rodas e correntes nos pneus para enfrentar a lama extremamente lisa. Nesta época, os melhores veículos para enfrentar o barro eram a Rural e o Jeep Willys. Onde havia estradas, tinha se a opção pelo uso de bicicletas, charretes, carroças, automóveis, caminhões, e em alguns lugares havia a opção por um tipo de ônibus aberto denominado jardineira. Porém, onde não havia estradas o deslocamento era feito no meio da picada, a pé ou a cavalo. A picada às vezes era interrompida por uma “pinguela” (pau que atravessa o riacho funcionando como uma ponte para pedestres). Em lugares onde haviam rios o transporte era feito com balsas o que acarretava “longas esperas”. O transporte ferroviário chegou em Rolândia 1936. No período de chuvas como o transporte era impraticável e a cidades ficava isolada, era difícil a busca de assistência médica em outras cidades. Esta dificuldade fez com que muitos pioneiros retornassem ao seu lugar de origem. Por esta razão foi muito importante a construção do primeiro hospital, o Hospital do Dr. Ciro. Depois vieram o Dr. Cabral, Dr. Xenofonte e Dr. Anatole entre outros. Além disso, com a falta de médicos, as benzedeiras, rezadeiras e curandeiros eram populares. Lamaçais intransponíveis na época das chuvas; poeira de cegar na época das secas, fumaça de asfixiar na época das queimadas …. estradas intransitáveis, falta de assistência médica, falta de energia elétrica e de outros confortos …. pessoas chegando de todas partes do Brasil e do mundo atraídas pelas terras baratas e férteis do Norte do Paraná …. . ROBERTO BARBOSA  BAZOTE e JOSÉ CARLOS FARINA

FOTOS DO HOTEL ESTRELA DE ROLÂNDIA - 2ª CONSTRUÇÃO DA CIDADE - RARAS e INÉDITAS

FOTOS By  ELSE RAUSCH

















































































































































































FUMO DE ROLO

O FUMO DE ROLO ERA VENDIDO NOS EMPÓRIOS E EM CASAS ESPECIALIZADAS. AINDA HOJE EXISTEM EM MUITOS LUGARES. A PESSOA COMPRA POR PEDAÇO QUE DEPOIS É PESADO.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

SENADINHO ( PARLAMENTO ) PEDRA DOS ANOS 50 EM ROLÂNDIA

O Sr. Adalberto Junqueira, dono da farmácia São José, localizada bem na centro da cidade, onde hoje é o calçadão, tinha um grupo de velhos amigos que o visitavam todos os dias, até o fechamento do expediente, principalmente na semana de plantão. No começo da noite começavam a aparecer, um por um, até completar o quadro. Sabiam a hora de chegar e a hora de sair. Eram infalíveis. Todos os dias, mesmo quando o Sr. Adalberto não estava eles vinham. Arnaldo  Zorzeto, gerente do Bradesco, que no passado tinha sido grande jogador de futebol, no famoso Batatais, Enges Trassi (Angelo alfaiate), Angelo Armacolo, fazendeiro de café, pai do Ticão e do Celso,  Severino ( pai do Quinca), funcionário concursado  da prefeitura,  Vitorino Abrunhosa, grande comerciante, Antonio de Paula, fazendeiro de café,  João Venturini, fazendeiro,  Nahin Adas, fazendeiro, Angelo e Mario Colussi, fazendeiros, João Castelani, pai de Sidney e do Sergio, responsável pela Rede Ferroviária, bastante culto, atualizado nas notícias do Brasil e do mundo,  e não muito raro aparecia também o Sr. José Farina, muito amigo do Sr. Adalberto e de todos, conhecedor profundo do Nacional (NAC), de quem trazia as novidades, e, raramente, Vitorio Constantino, amigo intimo de longa data e diretor do colégio e professor de latim e francês. O terror dos alunos burros. Eu tinha medo dele. Cada um tinha uma tendencia. Eu admirava muito a paciência do Sr. Arnaldo Zorzeto na confecção de seus cigarros de palha. Era um verdadeiro ritual. Colocava ali toda a sua devoção, concentração e paciência. Gastava o mesmo tempo na confecção também no consumo. Como ele mesmo dizia:  - Agora vou degustar meu cigarroO Sr. Adalberto guardava as palhas e o fumo tietê previamente picado e já desfiado em uma caixa redonda de jacarandá, uma madeira nobre, forrada com folhas e figo e sementes de imburana. Colocava a caixa em cima do balcão e aquele que fumava podia se servir. As palhas eram fervidas no leite e secadas na sombra. Fiz muito  isso, bem como picar e desfiar fumo. O cheiro da fumaça do cigarro era sentido longe. Eram os membros mais ou menos efetivos da confraria. De vez em quando  aparecia um corpo estranho...  era denominado  de "sapo", mas era sempre bem vindo. Ali deliberavam sobre tudo e todos.  Sabiam de tudo o que acontecia na cidade. Nunca houve alguma coisa que desabonasse e denegrisse a imagem de alguém ..  alguma palavra indecorosa... Mas, ai daquele que tivesse o infortúnio de cometer qualquer delito, por menor  que fosse. Uma escorregadela só  e já ganhava de imediato um apelido. ali era o filtro...  a vida da cidade passava ali. Daquele grupo não vazava nada. nenhuma  informação. Afinal eram homens de uma integridade a toda a prova. Ali também era a "pedra", nome popular do local onde se faziam negócios.... compra e venda de casas, sítios e carros.  URBANO RODRIGUES ( irmão do Mauro Rodrigues e "Boca" ). Urbano reside em Paranavaí-Pr.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

PROFESSORES DE ROLÂNDIA DÉCADA DE 50 a 80

FOTOS ENVIADAS PELA PROFESSORA LÚCIA GUARIENTE A  QUEM EM FICO MUITO GRATO... DEUS TE ABENÇOE AMIGA. AMEI AS FOTOS... ESPERO QUE TODOS GOSTEM TBM. 

A primeira sequencia de fotos, são professores do antigo Ginásio Estadual de Rolândia em 1960






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ESTAS SÃO DO GRUPO ESCOLAR SOUZA NAVES

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COLHEITA DE CAFÉ NORTE DO PARANÁ

LUIZ e ANGELINA CHIARATTI PIONEIROS DE ROLÂNDIA

FOTO DA DÉCADA DE 50
GLEBA BANDEIRANTES

sábado, 7 de setembro de 2013

ROLÂNDIA - MEUS TEMPOS DO PRIMÁRIO NO GRUPO SOUZA NAVES

Eu (e a maioria da molecada) estudei o primário no Grupão Souza Naves...No tempo da Dona Marli Diretora.  No recreio serviam sopa de fubá (rs)....tinha que trazer o prato....(eu não levava não!) Só comia lá quando serviam leite preparado com  o pó mandado de presente pelo presidente John Kennedy (Aliança para o Progresso)... As vezes serviam pão com pasta de aveia.... Ai ninguém ficava de fora.... No intervalo os marmanjos queriam bater nos mais pequenos e mais fracos... Como não sou bobo fiz amizade com o Ladislau (um cara super respeitado)...  Um dia um grandão queria me bater (devo ter aprontado alguma) na hora "h" adivinha que chegou pra me salvar? acertaram... O Ladislau.... Lembro-me que a gente arrancava espinhos de carrapicho e jogávamos por trás nas roupas dos colegas, sem que eles soubessem. Tinha um colega que trazia máquina fotográfica sem filme e colocava todo mundo para tirar foto em cima do muro. Uma vez eu e mais dois colegas não fizemos o dever de casa e fomos levados para a sala da diretora Marli que era um carrasco. Vinte reguadas cada um nas mãos. Quando ela foi bater no primeiro quebrou a régua... os outros idiotas ( inclusive eu) rimos... aí ela de raiva pegou duas juntas.. bem espessas.. e aumentou a dose para 30... aí aí.. por que fomos  rir? fiquei com a mão vermelha o dia inteiro.. Um dia joguei pó de mico nos colegas na hora da fila.. quando entramos parecia que todo mundo tinha endoidado.. menos eu.. era tral de coça.. coça... (comecei a me coçar tbm para disfarçar). chamaram a dona Marli para revistar para descobrir o autor da proeza...quando chegou a minha vez ela nem revistou  direito.. eu tinha cara de bonzinho... hehehe.. Enfim.. acabou a aula .. fomos para casa tomar banho... Eu era amigo do Mauro Rodrigues (ainda sou) e um dia encontramos um filhote de pardal na entrada  do Grupão.... O Mauro muito sacana falou: - Farina pega pra vc é filhote de canarinho!.... Inocentemente acreditei  e coloquei o filhote no bolso do Guarda Pó (uma espécie de jaleco)...rs... No meio da aula o filhote escapou e a molecada endoidou pra pegá-lo... resumindo... acabou a aula.  Da janela da sala vi que o filhote entrou no porão da sala. Na saída fui lá e o peguei e o levei para casa.  Acabei levando uma bronca do meu saudoso pai: - "Solta este passarinho Zé Carlos, vc não está vendo que é um filhote de Pardal!... Acabei criando o pardal na gaiola por uns tempos...  Se na época existisse o atual Estatudo da Criança e Adolescente terminaríasmos o ano letivo sem professoras. Eu acho que apanhei de todas as professoras do primário. Lembro-me que uma vez errei a tábiado do 8 e a professora não só puxou a minha orelha.. ela torceu.. eu acho que é por isso que tenho orelhas grandes. Tinha uma professora que era doida varrida.. ela gritava.. tacava gis.  tacava apagador. pulava um metro de altura quando tinha xiliques... A violência era tão grande que a diretora Marli uma vez deu um banho em um colega meu na frente de todo a Escola só porque ele não tinha lavado os ouvidos e cortado as unhas.. pode?? Orra. nesta hora eu aparei as minhas unhas compridas no dente... No recreio a criançada brincava de biblioquê ( eram centenas).. tinham uns caras bons mesmo.. começavam a dar "piruetas" e não paravam nunca.. faziam milhares de pontos.. brincávamos de peão ( tinha tbm uns caras ótimos).. eles acertavam os peões que estavam no roda e ficavam com os brinquedos.. Brincávamos tmb de bolinha de gude.. aqui tbm a mesma coisa.. tinha uns caras que acertavam as bolinhas de longe.. e iam "rapelando" a molecada.. brincávamos tbm de "salva".. Pena que o intervalo acabava logo e lá íamos nós enfrentar  as professoras bravas...JOSÉ CARLOS FARINA

Dragoeiro ( Dracaena draco ). FOTO ÁRVORE LINDA

BRINQUEDOS CARRINHOS CAMINHÕES ARTESANAIS DÉCADA DE 50 / 60 - NORTE DO PARANÁ

DÉCADA DE 50 / 60. NO MEU TEMPO ERA ASSIM. EU E MEUS IRMÃOS FIZEMOS ALGUNS DESTES. BONS TEMPOS. SAUDADE. SOMENTE NA DÉCADA DE 70  É QUE  O POVÃO COMEÇOU A COMPRAR CARRINHOS DE PLÁSTICOS INDUSTRIALIZADOS. JOSÉ CARLOS FARINA