sábado, 31 de dezembro de 2011

VIAGEM DE TREM DE ROLÂNDIA A SÃO PAULO


Uma viagem inesquecível

Aconteceu nos anos 70.  Eu, minha querida mãe e meu  primo    Toninho      (sempre presente em quase todas as minhas aventuras). Viagem de Rolândia à São Paulo onde fomos passear na casa de parentes. Saímos de Rolândia por volta das 21 horas. Tinha na época 16 anos. Tudo nesta viagem foi maravilhoso. Foi a minha primeira viagem de trem. Lembro-me da  ansiedade até que o trem apareceu com aqueles faróis poderosos, soltando fumaça e aquele barrulhão do motor. Meu coração acelerou. O chefe da estação que portava um bonito quepe bateu o sino de bronze anunciando oficialmente a chegada do trem. Embarcamos. Minha mãe ( que era a primeira vez que viajava sem a presença do meu saudoso pai) acenava chorando ao início da marcha do trem. Ficamos olhando o meu pai e irmãos na plataforma da estação até sumirem. Mal começou a viagem a minha mãe pegou um rosário e começou a rezar pedindo proteção para a viagem. A preocupação dela era que o meu tio João não estivesse esperando na Estação Sorocabana em São Paulo. Por volta da meia noite fiquei entendiado com a lentidão da viagem, e não conseguindo dormir com o balanço e barulho do atrito das rodas de aço nas  emendas dos trilhos, fui até o vagão refeitório onde comprei uma revista. Sentei ao lado de uma das mesas para ler. Pedi uma bebida e  um maço de cigarro. Minha mãe preocupada com a minha demora e já chorando achando que tinha caído para fora do trem, mandou o meu primo me procurar. Me encontrou lá no refeitório com toda pose, sentado, lendo, fumando e bebendo ao lado de dois garçons vestidos com ternos brancos. Sendo meu primo morador da roça ficou com vergonha de entrar ali, só acenou com a cabeça e voltou pra contar o que viu. Até hoje ele ri muito ao descrever esta cena.  Ao amanhecer  eu e meu primo fomos para o último vagão onde havia uma espécie de varanda. Eli fumando um cigarrinho íamos contemplando as belas paisagens. Os lavradores paravam de carpir ou arar a terra para acenar para nós. Nos sentíamos muito importantes ao recebermos estes acenos. Minha mãe continuava a rezar com o rosário na mão. Só parava para mandar o cobrador de bilhetes nos avisar para não irmos muito longe (como se isso fosse possível). A uma certa altura da viagem, já chegando em São Paulo, eu e meu primo ficamos na "paquera" em frente o vagão de sanitários. Estava encostado na porta do sanitário feminino quando, em uma curva, a porta abriu e eu fui arremessado para dentro. Acabei  machucando a perna com o impacto  no vaso sanitário (Ainda bem que não tinha nenhuma mulher lá dentro). Meu primo ri até hoje desta proeza. A viagem foi muito emocionante do começo ao fim. A parte ruim era aguentar o cobrador de cinco em cinco minutos querendo ver os bilhetes e os vendedores de revistas, jornais, sanduíches e pratos feitos. Eles passavam a todo instante gritando: - Olha o sanduíche... prato feito.. revistas.. (como coisa que a gente não sabia!...). Os cara eram reconhecíveis até no escuro. Portavam um paletó preto com o distintivo da RVPSC (Rede Viação Paraná Santa Catarina) e um quepe da mesma cor, com  emblema de bronze. Pareciam uns generais. Interessante que eram todos gordos. Eu acho que ele mais comiam aquela comida do que vendiam. A viagem durou uma noite mais  meio dia. A cada cinco minutos, quando enfim o trem embalava, tinham que parar... Mais uma estação. Daqui em São Paulo eu acho que haviam mais de 1.000 estações. Nunca vi coisa igual. Minha mãe quando viu o meu tio João nos esperando na Estação em meio a tanta gente só faltou pular em cima dele tamanha a alegria.  Saímos com o meu tio, carregando malas enormes em meio a multidão. Com medo de me perder do meu tio andei levando uns safanões, pois mesmo sem querer acabei acertando as canelas de alguns transeuntes. E as malas antigas eram feitas de uma material que parecia casco de tartaruga. Doía muito a pancada. Nunca tinha visto tanta gente junta. Parecia um formigueiro. Pensava: haja trens para levar todo mundo. Já ao lado do meu tio minha mãe agora ia rezando agradecendo o sucesso da viagem. Mas, falando sério, foi a viagem mais emocionante que tive na minha vida até hoje.  Dificilmente vou fazê-la de novo, pois nem mais trem de passageiros temos.  JOSÉ CARLOS FARINA - ROLÂNDIA - PR.

OBS.: Na 1ª Foto o meu primo Toninho. Ele não é louco não. A foto foi tirada na festa de um casamento da família. É claro que tinha bebido um pouco.... Na 2ª um trem daquela época (museu do trem de Baurú)...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

VÍDEO - A ÚLTIMA MÁQUINA DE ARROZ E MOINHO DE FUBÁ DE ROLÂNDIA

VÍDEOS CASAS DE MADEIRA DO NORTE DO PARANÁ - By FARINA

ANOS 60 EM ROLÂNDIA - TELEVIZINHO


TELEVIZINHO

Quando o sinal de TV chegou  em Rolândia pelas ondas da TV Coroados, canal 3, foi a maior sensação. Como o preço dos televisores era um absurdo para o maioria da população surgiu o televizinho. Nos primeiros anos eu e meus irmãos assistíamos televisão na casa do nosso amigo Aylton. Um dia chegamos na casa dele para mais uma sessão e o "pau estava comendo" lá dentro. Era briga de marido e mulher. Inicialmente não abriram a porta, mas como era dia do seriado Bonanza insistimos. A dona da casa abriu a porta e aos gritos disse: - "vocês não estão vendo que o ambiente aqui não está bom. Sumam daqui. Voltamos para  casa tristes e chorando por perdermos um episódio do faroeste, da qual éramos fãs. Meus pais se compadeceram de nós e como o meu pai também era fã do Bonanza deu um jeito  e comprou um televisor. Lembro-me até da marca... era Eletronic e era montada pelo saudoso Helmut Ditrich. Vinha com quatro pés de madeira torneada que eram parafusados em baixo do aparelho. Na primeiro dia ficamos na sala assistindo até o final da programação. Só que aí começamos a sofrer igual a vizinha briguenta com os televizinhos. Lembro-me que nos dias dos seriados Bonanza e National Kid  juntavam dezenas de pessoas em nossa casa. Meus tios e primos vinham do sítio e todos se ajeitavam como podiam. Tinha neguinho sentado no colo, no assoalho, na janela. Todos vibravam com as brigas e tiros dos Cartwright, Adam, Little Joe, Ross e Benjamin. Depois de algum tempo a prefeitura instalou um televisor público onde hoje temos aquela imensa árvore "ficheira". Todo o dia na "boca da noite" o funcionário vinha, abria a grade e ligava. Eram centenas de pessoas que vinham de todas as regiões e da zona rural. Era muito divertido, os jovens paqueravam, as crianças brincavam e os adultos conversavam. Ah... dava muito movimento para os pipoqueiros e sorveteiros. Apesar da grana cura era um tempo bom... era um povo feliz... sem vícios... sem drogas... tudo era romântico e divertido. Tenho saudade. JOSÉ CARLOS FARINA - ROLÂNDIA-PR.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

HORTAS CASEIRAS NO NORTE DO PARANÁ - ANOS 60 e 70


HORTAS CASEIRAS - ROLÂNDIA - NORTE DO PARANÁ
Antigamente, principalmente nos anos 60 e 70 a maioria das famílias do norte do paraná tinha uma horta caseira no fundo do quintal onde se plantava e colhia alface, almeirão, salsinha, cebolinha, rabanete, cenoura entre outras hortaliças. Eu sempre ajudava a minha mãe com a hortinha dela. O trabalho era "afofar" a terra com o enxadão, cercando os canteiros com taboas ou tijolos. Após era acrescentado estrume de gado seco e curtido. Aí fazíamos pequenos sulcos onde eram depositados as sementes. Para evitar que os pássaros não comessem as mudinhas novas trançávamos barbantes sobre o canteiro. Todo dia, de manhã e a tarde, eu ou um dos outros irmãos tínhamos que aguar os mesmos. A nossa terra aqui é tão fértil que a produção era exagerada. Além de presentearmos os vizinhos e parentes, muitas vezes saíamos com cestos vendendo o produto. Era muito difícil vender, pois quase todos tinham horta em seus quintais. Hoje ainda tenho este bom costume. Em casa tenho quatro canteiros feitos de tijolos (foto anexa) onde colho para o "meu gasto" almeirão, salsinha e cebolinha, sem agrotóxicos. E o melhor, na porta da cozinha. É só colher, lavar e temperar. É uma ótima terapia. Para trabalhar com horta é preciso gostar do contato com a terra (solos). Sempre que posso trago de fora "terra gorda" de matas virgens que é o melhor adubo que existe. Que tal agora fazer a sua hortinha? (CLIQUE NA FOTO)TEXTO e FOTO de  JOSÉ CARLOS FARINA

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

CASAS DE MADEIRA DO NORTE DO PARANÁ - FERNANDO STRATICO

FARINA  RECEBE ELOGIOS VINDOS "DE FORA"
vi seus vídeos e também o blog e fiquei muito feliz em saber que há defensores de nosso patrimônio empenhados em preservar nossa história e nossos bens culturais. Rolândia, em especial, devido a imigração alemã, conta com construções que deveriam, no mínimo, serem preservadas a todo custo. Mas, infelizmente, todo o norte do Paraná está perdendo a sua riqueza cultural. É lamentável a falta de consciência dos proprietarios que colocam à venda a madeira que ao final é destinada à fabricação de móveis.Sou professor da UEL, do curso de artes cênicas, e também apaixonado pelas casas de madeira, onde nasci e me criei. Parabéns pelo seu trabalho. O registro fotográfico destas casas é também parte muito importante desta luta.  FERNANDO STRATICO. FOTO By JOSÉ CARLOS FARINA

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

CASA DO SAUDOSO PAULO MOLOGNI - CARAMURÚ


UM DOS FUNDADORES DO CARAMURÚ,  BAIRRO PERTENCENTE A ROLÂNDIA E LONDRINA.
EU IA SEMPRE COM O MEU SAUDOSO PAI JOSÉ FARINA VISITAR O SEU PAULO "BOLONHA", COMO ERA CONHECIDO. GENTE BOA. LÍDER DO LUGAR.

FOTO By  JOSÉ CARLOS FARINA

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

VENDAS ( BARES ) ANTIGOS DO NORTE DO PARANÁ - anos 40 em diante



ESTA É A VENDA DO CARAMURÚ, LOCALIZADA ENTRE ROLÂNDIA E LONDRINA. MEU PAI, JOSÉ FARINA FILHO, MEUS AVÔS JOÃO MARTIN E JOSÉ FARINA E MEUS TIOS ANTONIO E MANOEL FREQUENTARAM ESTA VENDA NOS ANOS 50, 60 e 70. ELA PERMANECE DO MESMO JEITO DESDE A SUA CONSTRUÇÃO HÁ MAIS DE 60 ANOS. TENHO UM VÍDEO NO YOUTUBE SOBRE ESTA E OUTRAS VENDAS ANTIGAS. É SÓ DIGITAR "VENDA ANTIGA FARINA". TENHO TAMBÉM FOTOS DELAS NO SITE "PANORAMIO" ETIQUETAS "ROLÂNDIA".  TEXTO e  FOTO de JOSÉ CARLOS FARINA

CASA DE SÍTIO NO NORTE DO PARANÁ - anos 40 em diante


Esta é uma típica casa de sítio do norte do paraná nos anos 40 em diante.  Esta está localizada próximo ao Caramurú onde os meus pais e avós viveram. Antes da geada de  1975 todo sítio tinha pelo menos duas casas. A do proprietário e uma outra do porcenteiro. Após a geada restaram poucas casas inteiras na zona rural. Estas casas não tinham forro para a fumaça das lamparinas "vazar" para fora. O porão era aberto onde os cães acabavam deixando pulgas. As táboas dificilmente eram pintadas. 99% tinham fogão caipira com chaminé. Ao lado da casa ficava o paiol de milho, a tuia para armazenar café e cereais, o chiqueirão para criar porcos, o curral para ordenhar a vaca.   Ah!.. não podia faltar um forno caipira feito de barro (para o pão e assados), o terreirão para secar o café e o poço caipira com corda e balde. A casa do meu avô nas proximidades do Pinheirão era bem parecida com esta. Passei muitas férias em um ambiente parecido.  Esta ainda resistiu. TEXTO e FOTO de JOSÉ CARLOS FARINA.

sábado, 5 de novembro de 2011

ENTREVISTA COM O PIONEIRO ERWIN FRAGER - ROLÂNDIA - PR.

RASCUNHO DO DEPOIMENTO TOMADO POR JOSÉ CARLOS FARINA NO DIA 02/06/1992, DEVIDAMENTE ARQUIVADO NO MUSEU MUNICIPAL DE ROLÂNDIA-PR.


ENTREVISTA COM O PIONEIRO JOSÉ GONÇALVES RUIZ - ROLÂNDIA - PR.


RASCUNHO DO DEPOIMENTO TOMADO POR JOSÉ CARLOS FARINA NO DIA 02/06/1992, DEVIDAMENTE ARQUIVADO NO MUSEU MUNICIPAL DE ROLÂNDIA-PR.


ENTREVISTA COM O PIONEIRO ANGELO ( ANGELIN ) SARTORI - ROLÂNDIA - PR.


RASCUNHO DO DEPOIMENTO TOMADO POR JOSÉ CARLOS FARINA NO DIA 25/05/1989, DEVIDAMENTE ARQUIVADO NO MUSEU MUNICIPAL DE ROLÂNDIA-PR.

(CLIQUE NA FOTO PARA AUMENTÁ-LA)



ENTREVISTA COM A PIONEIRA ANGELINA LEMOS CHIARATTI - ROLÂNDIA - PR.


RASCUNHO DO DEPOIMENTO TOMADO POR JOSÉ CARLOS FARINA NO DIA 24/05/1989, DEVIDAMENTE ARQUIVADO NO MUSEU MUNICIPAL DE ROLÂNDIA-PR.



ENTREVISTA COM O PIONEIRO LUIZ CHIARATTI - ROLÂNDIA - PR.


RASCUNHO DO DEPOIMENTO TOMADO POR JOSÉ CARLOS FARINA NO DIA 30/05/1989, DEVIDAMENTE ARQUIVADO NO MUSEU MUNICIPAL DE ROLÂNDIA-PR.



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ENTREVISTA COM O PIONEIRO JOSÉ FARINA FILHO - ROLÂNDIA - PR.

RASCUNHO DA ENTREVISTA TOMADA POR JOSÉ CARLOS FARINA EM 1989 EM PODER DO MUSEU MUNICIPAL DE ROLÂNDIA-PR.

                                                      (FOTO ACERVO DA FAMÍLIA)                                                     
                                            (CLIQUE NA FOTO PARA AUMENTÁ-LA)


















































quinta-feira, 27 de outubro de 2011

ROLÂNDIA - OBRAS DO CENTRO HISTÓRICO ESTÃO PARALISADAS



As obras do Centro histórico (ao lado da estação ferroviária) estão paradas há vários dias. Logo após o término do alicerce  não se viu mais trabalhadores no local. A placa indicativa da obra está no chão. Gostaríamos de saber o que está acontecendo. Está faltando o que?
CLIQUE NAS FOTOS PARA AUMENTÁ-LAS
TEXTO e  FOTOS de  JOSÉ CARLOS FARINA

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

JUDEUS AO LADO DE NAZISTAS EM ROLÂNDIA - PR.



"A Travessia da Terra Vermelha -Uma Saga dos Refugiados Judeus no Brasil", romance histórico de Lucius de Mello, relata a vida dos refugiados judeus nas décadas de 30 e 40 que encontraram abrigo no norte do Paraná. Para escrever o romance o autor entrevistou descendentes diretos dos pioneiros, no Brasil e na Alemanha.


"Ao vasculhar as memórias desses refugiados fui tocado por um passado vivo que nos remete ao Holocausto enquanto fenômeno político e crime contra a Humanidade", disse o autor, que é escritor, jornalista e pesquisador da USP.

Divulgação
Poeta nazista Maria Kahle fala em púlpito decorado por suástica durante festa pelo aniversário de Hitler, em abril de 1934
MAIS FOTOS DO LIVRO
QUEM FOI HITLER?
SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

"A Travessia" conta a saga de cerca de 80 famílias alemãs, judias e cristãs, que fundaram a cidade de Rolândia, próximo a Londrina. Naquela época, a região era uma verdadeira selva. Fugindo da perseguição nazista, os refugiados judeus atravessaram o Atlântico, tomaram o trem e, por ironia, viraram vizinhos de alemães nazistas em pleno interior do Brasil.


Sem saber, os refugiados judeus se refugiaram numa colônia alemã parcialmente nazista. O livro publica, em primeira mão, fotos das festas hitleristas realizadas em Rolândia na década de 30. O autor também revela um cartaz usado em campanha anti-semita no interior do Paraná. A intenção do ditador alemão Adolf Hitler era transformar Rolândia numa colônia nazista modelo na América do Sul.

O livro traz fotos das festas que os nazistas realizavam para celebrar o aniversário de Hitler, com o contraste dos símbolos nazistas tremulando próximo a árvores típicas da região, como caviúnas, perobas rosas e figueiras brancas.

Entre os refugiados judeus, estavam médicos, físicos, botânicos, artistas, advogados, juristas, professores universitários que foram obrigados a deixar a vida confortável que tinham na Alemanha para trabalhar na roça no Brasil.

Eles foram ajudados pelo ex-deputado do partido católico alemão Otto Prustel. Pouco antes de Hitler começar a perseguição aos judeus, eles conseguiram salvar parte do dinheiro que tinham e comprar terras no Brasil. Prustel criou a chamada "operação triangular": os judeus alemães compravam peças (trilhos, parafusos, locomotivas, vagões,etc), das fábricas alemãs, em nome da companhia inglesa Paraná Plantation, responsável pela construção da ferrovia São Paulo-Paraná aqui no Brasil. Em troca, recebiam dos ingleses títulos das terras que viriam ocupar no Paraná.

Histórias Entre as histórias curiosas relatadas pelo romance, estão a da soprano que dava recitais líricos na fazenda e cantava para amenizar a saudade dos amigos, dos parentes e do primeiro amor, um pianista, que morreu lutando na Primeira Guerra Mundial. Ela dava aulas de piano e canto para as crianças da colônia e cantava uma ária da ópera "Madame Butterfly", de Puccini, porque acreditava que a música estimulava Berenice, a vaca leiteira, a produzir mais.
A TRAVESSIA DA TERRA VERMELHA
De: Lucius de Mello
Editora: Novo Século
Tel: (11) 3699-7107
Site: www.novoseculo.com.br
420 págs
Preço: R$ 45

O livro conta as dificuldades dos refugiados no meio do mato, as doenças, os insetos, os bichos, o preconceito, a falta de socorro médico, a saudade de quem não conseguiu fugir e morreu nos campos de concentração.

Eles acompanhavam as notícias da guerra por um único rádio, que a polícia política só permitiu que ficasse na colônia porque pertencia a um imigrante polonês.

Havia uma família judia que se correspondia com o pintor Candido Portinari e que ganhou do artista quatro óleos sobre tela. O livro publica cartas e cartões trocados entre o pintor e os amigos judeus de Rolândia.

Outra história emocionante é a da física judia que era prima e se correspondia com o físico Rudolf Ladenburg, da equipe de Albert Einstein, em Princeton, Estados Unidos. O livro publica duas cartas que Ladenburg escreveu à refugiada. Ela também dava aulas de ciência aos filhos dos cablocos da fazenda e em troca aprendia português com eles.

Integradas à nova paisagem, algumas famílias faziam questão de celebrar os ritos religiosos judeus, mesmo que timidamente. Como não havia sinagoga na colônia, convidavam rabinos de São Paulo para celebrar festividades e até um casamento.

Para aprender a falar português, os refugiados se debruçaram sobre os livros de Fernando Pessoa e Machado de Assis. Eles conseguiram trazer, de trem, grande parte das bibliotecas que tinham na Alemanha.

Pesquisa O romance é resultado de quatro anos de pesquisa, nos quais Mello recolheu  diários, anotações, fotografias, cartas, documentos e gravou dezenas de entrevistas. Parte do material ilustra o romance, que é apresentado pela professora doutora em História da Universidade de São Paulo Maria Luíza Tucci Carneiro, pesquisadora do LEER (Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação), ligado ao Departamento de História da USP. Na apresentação, ela diz: "Com artimanhas de escritor experiente, mescla ficção e realidade recuperando o cheiro da terra, o aroma dos chás prussianos requentados em terras brasileiras, as mágoas e as paixões secretas até então silenciadas. É na trama destes interesses velados que os preconceitos ganham forma e a coletividade deixa saber exatamente quem ela é." A investigação histórica foi feita com base em duas teses acadêmicas sobre o tema: "Brasil, Refúgio nos Trópicos", da própria Maria Luíza, e "Rolândia, A Terra Prometida", de Ethel Kosminsky, doutora em Sociologia pela USP. NOTÍCIAS UOL

A VIDA DOS JUDEUS EM ROLÂNDIA - PR.



JORNAL DE LONDRINA


UEL pesquisa história de judeus que fugiram do regime nazista e se refugiaram no norte do Paraná

Entre 1933 e 1941, cem famílias de refugiados do regime nazista na Alemanha vieram para Rolândia (distante 27 km de Londrina) fugidos dos horrores praticados por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. O projeto Etnicidade e Morte, do curso de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL), há cinco anos pesquisa as relações de identidade e religiosidade na colônia judaica em Rolândia.
O coordenador do projeto, professor Marco Antônio Neves Soares, afirma que foram gravadas 30 horas de entrevistas. “Trabalhamos também com relatos escritos pelos próprios judeus que se estabeleceram em Rolândia”, diz ele. “Tem as memórias de Ricardo Loeb-Caldenhof, morto na década de 80; de Graf Von Galen; de Susane Behrend e seu irmão Rudolf Stern; de Max Hermann Maier; além de documentos e 90 livros que os refugiados trouxeram da Alemanha.”
O trabalho deve ser concluído em outubro deste ano e já é possível levantar informações importantes que revelam um pouco do que essas famílias viveram num período que envergonhou toda a humanidade. Soares afirma que Rolândia foi descoberta pelos judeus por meio dos ingleses, que vendiam, na Europa, terras do norte do Paraná (Companhia de Terras Norte do Paraná).
Muitos dos judeus que chegaram a Rolândia eram, na Alemanha, grandes juristas, artistas, intelectuais. “Eles também tinham em suas famílias, pessoas de destaque no cenário alemão e mundial”, afirma Soares. Como Susane Behrend, cujo tio foi prêmio Nobel da Química, Fritz Haber; ou Hulda Bielschowsky cujo tio desenvolveu a cirurgia para estrabismo.
O medo de serem descobertos e mandados de volta para a Alemanha, para serem exterminados, levou essas pessoas de alto nível intelectual a fugirem de centros urbanos logo que chegaram ao Brasil. “Eles optaram por virem para um lugar que é quase uma selva e se dedicarem à agricultura, atividade com a qual não tinham nenhum contato na Alemanha”, afirma Soares.
Foi também esse medo um dos motivos, de acordo com o professor, que levou os judeus a não se organizarem como comunidade em Rolândia. A única relação que eles mantinham uns com os outros se dava por meio dos empréstimos de livros.Todos trouxeram muitos livros, a família Stern trouxe dois mil.
Eles se ajudavam, mas não mantiveram relações estreitas, de acordo com Soares. Havia também uma tensão entre os próprios judeus. “Encontramos um certo ressentimento na fala de alguns desses refugiados. Isto porque alguns conseguiram comprar terras e outros foram trabalhar de empregados nessas propriedades.”
Família Stern perdeu quase tudo durante a fuga para Rolândia
A família Stern fugiu da Alemanha em 1939, ainda com as palavras da Gestapo ecoando em suas mentes: “Nosso braço é comprido e vamos pegar vocês em qualquer canto do mundo se disserem o que viram e viveram aqui.” Susanne Stern Behrend, 88 anos, lembra do terror que sentiram durante os anos do holocausto.
Os Stern estão entre as famílias de judeus que se refugiaram em Rolândia. Susanne conta que eram em cinco: ela, os pais, o irmão e a avó, e que foram para a fazenda de um amigo do pai dela. O pai de Susanne tinha se formado em direito na Alemanha e se transformado em dono de serraria.
Na fuga, os Stern perderam quase tudo e entraram no Brasil com pouquíssimo dinheiro. A família chegou sem dinheiro e acompanhada do terror do campo de concentração de Sachsenhausen, em Brandenburgo, onde o pai ficou um mês.
“Não conhecíamos a língua, não tínhamos nada e tínhamos muito medo”, conta Susanne. “Falávamos sempre muito baixo, olhando para todos os lados para nos certificarmos de que ninguém estava nos ouvindo.”
Essas condições eram tão restritivas que os Stern não se relacionavam nem mesmo com os outros judeus que já estavam em Rolândia e que foram chegando depois. “Os judeus estavam pelas fazendas e poucos tinham dinheiro. Vinham para a cidade só para comprar mantimentos e logo voltavam.”
As tradições judaicas não tinham lugar nessa nova vida. “Não mantivemos nenhuma”, conta. “Para formar uma comunidade judaica é preciso 10 homens adultos para fazer uma reza, por exemplo. E os judeus não tinham contato entre si.”
Anos depois de terminada a Segunda Guerra Mundial, os judeus que chegaram a Rolândia continuaram sem se organizar em comunidade e cultivar suas tradições. Susanne conta que não passou nenhuma delas para seus filhos. “Ficou um machucado tão profundo que eu decidi dar a religião cristã para meus filhos”, afirma. “Ser judeu é uma carga muito pesada.”
Susanne só voltou à Alemanha, com o marido Helmut Behrend, nos anos 80, para conseguir angariar fundos à Apae de Rolândia, da qual o casal foi fundador. “Eu jamais voltaria a morar na Alemanha. Não quero nem ser enterrada lá.”

Relato da imigração judaica em Rolândia por Ricardo Loeb-Caldenhof

Memoiren   é uma longa e detalhada narrativa do estabelecimento de Ricardo Loeb-Caldenhof e de sua esposa Sylvia O. Loeb-Caldenhof  na selva da Gleba Roland. Traz muitas referências do cotidiano da colônia e descreve de maneira minuciosa o  desenvolvimento da cidade e de seus habitantes, imbricado por histórias pessoais. Começou  a ser escrita em 1987 e foi terminada em abril de 1991, ano em que o autor completou 82  anos.  Filho de uma proeminente família judia estabelecida na região de Hamm emigrou para Rolândia em 1938, e dedicou-se às atividades agrícolas em sua Fazenda Belmonte, já  que havia cursado agronomia na Universidade de Bonn. Teve um papel aglutinador entre  os refugiados pelas constantes visitas que fazia aos campos de cultivo e às residências, mas  se sentia menosprezado entre os mais intelectualizados, por achar que estes consideravam a  agricultura um trabalho braçal de homens rústicos e não dedicados à leitura e ao  refinamento. Em sua narrativa, descreve a vida burguesa anterior à ascensão do Partido NacionalSocialista e a importância de sua família no contexto político-militar alemão durante o II  Reich e a República de Weimar. Analisa a deteriorização da situação econômico-social e  familiar da ascensão de Hitler até 1938, quando finalmente resolveu fugir para Rolândia,  onde já estavam pessoas do círculo de relações de sua família. Rememora acontecimentos,  pessoas e discussões, e expõe os motivos que fizeram permanecer no Brasil. A última parte  de suas Memoiren é destinada aos acontecimentos que envolveram a Fazenda Belmonte, desde aumento, manutenção ou queda de produtividade até as viagens pelo Brasil para  conhecer novos cultivares ou novas técnicas de cultivo. FONTES PARA A INVESTIGAÇÃO DAS IDENTIDADES E RELIGIOSIDADES  JUDAICAS LONGE DO JUDAÍSMO INSTITUÍDO: O CASO DE ROLÂNDIA  por Marco Antonio Neves Soares

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

MICHAEL TRAUMANN - PIONEIRO DE ROLÂNDIA - PR.



Quando chegou em Rolândia em 1937 ao lado do pais tinha 12 anos.  Sua família era dona da Fazenda Giugalla localizada na Estrada antiga de Pitangueiras, ao lado da Venda do Belançon. Sua família era muito culta. Pai advogado e mãe cantora de ópera. O pai foi perseguido pelo nazismo, daí a necessidade de emigrar para o Brasil. Com o pai já com meia idade, Michael  ainda muito jovem se sentiu responsável pela família. No final da década de 40 viajou para os Estados Unidos onde conheceu e se casou com Jane Bharthelmes, com quem teve seis filhos (um falecido). Michael sempre foi fiel aos seus amigos. Foi um homem de caráter íntegro, de inteligência brilhante, fora do comum, cumpridor de palavra, sem vaidades. Quando mais jovem era  mais alegre. Com o passar dos anos tornou-se mais sério. Ele escreveu muito, inclusive peças teatrais, na maioria sobre a mitologia grego/romana. As peças de teatro com uso de fantoches foram apresentadas para inúmeras pessoas. Era um conhecedor profundo da Bíblia e durante muitos anos presidiu a comunidade Luterana. Era um ativista comunitário tendo participado por muitos anos da diretoria do Hospital São Rafael e um dos fundadores da Corol. Era um apaixonado por livros. Lia muito, as vezes  até cinco livros por semana. Sempre compartilhava o que aprendeu com familiares e amigos. Sempre dizia que o livro era o melhor amigo do homem por permitir que a imaginação florescesse na mente dos leitores. Ao morrer, a sua biblioteca com cerca de 4.000 volumes foram doados para a Universidade Estadual de Londrina. Foi uma pessoa admirável por todos que tiveram o prazer de conhecê-lo. SUSANNE BEHREND. 
Transcrito por José Carlos Farina.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

COMEÇOU A RECONSTRUÇÃO DO HOTEL ROLÂNDIA

29/09/2011






Pelo que li nos jornais começou ontem (dia 29/09/2011) as obras de reconstrução do Hotel Rolândia. Tenho muito interesse em acompanhar de perto estes obras pois fui o único a se interessar em defender sua preservação para as futuras gerações. Se não fosse a Ação Popular ajuizada por mim as madeiras já tinham virado caixaria de construção e móveis. Texto e 1ª foto de JOSÉ CARLOS FARINA

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

HOTEL ROLÂNDIA por MARCOS VINICIUS DE JESUS SPERENDIO


HOTEL ROLÂNDIA
O desrespeito a historia e seus patrimônios históricos da cidade de Rolândia

Marcos Vinicius de Jesus Sperendio – E-mail: marcos_vjs@hotmail.com
Marcia Aparecida de Sousa – marcia_15_09@hotmail.com
Elisangela Oliveira Reis – E-mail: elisangela.oliveira.reis@hotmail.com
  
Introdução

Atualmente, algo que preocupou a equipe, é o descaso que a iniciativa privada e lideres tem tido em relação a história da cidade de Rolândia. Vem sendo motivo de jornais e noticiários, com a demolição ou dita por eles, a mudança de local do hotel que representa a história da cidade, que infelizmente não vem sendo o assunto em pauta pela população em geral mas sim, por um seleto grupo de políticos, acadêmicos e algumas pessoas ilustres que fazem parte da história do município.  (muitas ideias em um mesmo parágrafo) rever  Nós como acadêmicos temos como objetivo, demonstrar esses fatos através da arrecadação do maior numero de informações possíveis sobre o assunto, enaltecendo a importância desse monumento para a cidade de Rolândia que infelizmente não vem sendo motivo de preocupação da população. Aqui também iremos ressaltar o que será feito com a estrutura, e o que possivelmente poderá se tornar o local onde o hotel estava construído.

Metodologia

O seguinte artigo será elaborado com pesquisas de outros textos que falem sobre patrimônios históricos, com noticias retiradas de jornais, revistas entre outros meios de comunicação que possa dar explicações aos fatos acontecidos em na cidade de Rolândia.

Justificativa
Por não ser um tema muito comentado pela sociedade em geral, escolhemos realizar esse trabalho como forma de incentivar a população a preservar a história de seu povo. Também considerando o intuito de cobrar medidas que deveriam ser tomadas pelas autoridades competentes em questão a valorização do patrimônio histórico.
Aspectos geográficos do município de Rolândia

Rolândia possui uma área de 459 Km², situado no eixo econômico Londrina-Maringá, sendo também o entroncamento rodoviário da BR 369 com a PR 170/171 com direta conexão direta  para São Paulo, Mato Grosso e Brasília. Suas divisas são constituídas por, Norte com município de Jaguapitã, ao Sul com Arapongas, a Oeste com Pitangueiras e Sabaudia e ao Leste com Cambé.
A população da cidade de Rolândia de acordo com o censo de 2010 é de 57.810.
A elevação máxima de Rolândia se encontra nas regiões próximas a estação ferroviárias com 730m.As coordenadas geográficas do município de Rolândia são constituídas por latitude S 23°16’33” e longitude O 51°19’45”.

O relevo possui uma topografia levemente inclinada e ondulada, não apresentando nenhuma elevação mais acentuada, o que favorece a mecanização das áreas agrícolas.

 O solo do Município de Rolândia é de textura argilo-limoso que é a chamada “Terra Roxa”
Figura 3. Tipo de Solo de Rolândia - Terra Roxa

Sua coloração é marrom avermelhada. O perfil deste solo não apresenta variações de cores nas diversas profundidades. São os solos em geral mais profundos, podendo chegar a 20 metros sem encontrar rocha, mesmo semidecomposto. A formação dos solos são constituídas por  40% de Latossolo roxo, 50% de terra roxa estruturada e 10% Latossolo vermelho escuro.
  
A história da cidade

A cidade de Rolândia foi fundada pela Companhia de Terras Norte do Paraná, subsidiária da Paraná Plantation Ltda, cujos donos eram ingleses. No dia 29 de Junho de 1934, iniciou-se a construção da primeira casa no perímetro urbano, o Hotel Rolândia. Daí para frente às construções se sucederam e uma próspera vila emergiu no local da mata. Nascia Rolândia.

A fama da fertilidade da "terra toxa" se espalhou por todos os rincões do país e o Norte do Paraná ficou sendo conhecido como a Canaã Brasileira. Logo, mineiros, paulistas, nordestinos e filhos de imigrantes alemães radicados em Santa Catarina e Rio Grande do Sul estavam povoando e construindo Rolândia. Os imigrantes estrangeiros foram direcionados para se estabelecerem aqui, ou por alguma Sociedade que cuidava da imigração, ou por orientação da própria Companhia de Terras. Dos imigrantes estrangeiros que colaboraram no desenvolvimento de Rolândia, destacam-se japoneses, alemães, italianos, portugueses, espanhóis, sírio-libaneses, húngaros, suíços, poloneses, tchecos, austríacos, entre outros.

O nome Rolândia é de origem germânica, nome dado em homenagem a Roland, legendário herói alemão, que na Idade Média guerreava ao lado de Carlos Magno e seu lema era lutar pela "Liberdade e Justiça".

Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha foi assolada por uma grande crise econômica. Alguns políticos alemães, interessados em solucionar os problemas, principalmente dos filhos dos pequenos lavradores, criaram Companhias com objetivo de incentivar a imigração. Entre estas se destacou a Companhia Para Estudos Econômicos Além-Mar.
Neste período muitas Companhias Colonizadoras Inglesas ofereciam terras aos interessados em imigração, entre elas, a Paraná Plantation Ltda, que possuía duas filiais no Brasil, A Companhia de Terras Norte do Paraná e a Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná. Ao assumir a presidência da Companhia para Estudos Econômicos Além-Mar, o Dr. Erich Koch-Weser convidou Oswald Nixdorf para estudar junto à Paraná Plantation, um local ideal para dar início a uma colonização alemã no Brasil. (1931): escolhido o local, em 1932, o Sr. Nixdorf é contratado pela Companhia Alemã, com a finalidade de seguir para o Brasil e aqui orientar os imigrantes alemães. No início, os imigrantes que se dirigiram ao Brasil eram basicamente constituídos de filhos de agricultores ou pessoas que queriam tentar a sorte em outro país. Contudo, a partir das perseguições políticas, religiosas e raciais, desencadeadas pelo nazismo, o tipo de imigrante mudou.
Todo aquele que, de uma maneira ou de outra, temia a política repressiva do nazismo procurou sair da Alemanha. Políticos, religiosos e alemães-judeus (estes quase todos com cursos universitários) vão engrossar o número daqueles que procuraram vir para Rolândia.
Em 1934, inicia-se na Alemanha uma restrição à imigração. Até então, o valor que cada imigrante poderia levar consigo era de 10.000 marcos. Com a restrição, este valor caiu para 10 marcos. A Companhia de Terras logo encontrou a solução, a da Permuta. Como a Companhia de Terras precisava de material para levar a Estrada de Ferro até Rolândia e a Alemanha possuía este material (trilhos, etc.), ficou combinado que o dinheiro do imigrante ficaria na própria Alemanha. O imigrante compraria o material ferroviário que a Companhia de Terras precisava e em troca recebia títulos que equivaliam a terras em Rolândia. Graças a esta forma de permuta, a Companhia de Terras conseguiu o prolongamento da Estrada de Ferro até Rolândia. Em janeiro de 1935 aqui chegava pela primeira vez a famosa Maria Fumaça.

A contribuição dos imigrantes estrangeiros e dos imigrantes brasileiros foi de fundamental importância no desenvolvimento de nossa cidade. Os primeiros anos foram de muitas dificuldades, mas a vontade de vencer e de sobreviver fez do pioneiro um forte, verdadeiro herói anônimo, que além de tudo teve que suportar as agruras decorrentes da II Guerra Mundial.

A nossa cidade, a exemplo de outras cidades brasileiras, cujos nomes eram de origem germânica, teve que mudar seu nome. Em 30 de dezembro de 1943, ao mesmo tempo em que era criado o Município de Rolândia, o nome foi trocado para Caviúna. Somente em 1947 é que retornou o antigo nome Rolândia. No começo, os cafezais é que geravam a riqueza; hoje, a diversificação da agricultura se faz presente com destaque para soja, milho, trigo, cana de açúcar e laranja. Rolândia conta ainda com uma pecuária invejável e um parque industrial em franco desenvolvimento.

Fundada em 29 de junho de 1934, com a construção do primeiro imóvel, que posteriormente se tornaria Hotel Rolândia, que seria utilizado para hospedar compradores de terras em período de colonização nascia foi passo inicial para a construção da cidade de Rolândia que atualmente de acordo com uma estimativa do ano de 2006 chega a aproximadamente a 60.000 habitantes.
         
Muitos anos após sua inauguração, o hotel ainda estava em funcionamento, porém com uma baixa muito grande de clientelas, fato devido a instalação de uma série de hotéis mais sofisticados juntamente com a falta de investimentos no setor turístico o hotel com grande ameaça de ser demolido foi fechado, a prefeitura como ação defensiva decide comprar parte da propriedade em um valor estimado em R$ 33.000,00, onde seria de posse da prefeitura apenas o madeiramento que posteriormente seria utilizado na reconstrução em uma outra localidade que seria nas proximidades da estação ferroviária.
Um relato da historiadora e coordenadora do patrimônio histórico do Museu Municipal de Rolândia, Solange Aparecida Pretti, contou que a cidade tem o hotel como marco histórico, já que a data da sua construção, 29 de junho de 1934, é considerada como o dia da fundação do município. Segundo ela, o hotel teria sido construído por um funcionário da Companhia de Terras Norte do Paraná, Eugênio Victor Larinoff, para que compradores de terras que visitavam a região tivessem um local para se hospedar.
A construção, feita em peroba rosa, já hospedou artistas como Derci Gonçalves, Tonico e Tinoco e Maysa. Moradores da cidade dizem que até mesmo Ayrton Senna teria frequentado o hotel. Além de abrigar celebridades, o local foi palco de muitos bailes e eventos no início da colonização. Mas, nos últimos anos, o Hotel Rolândia recebia poucos hóspedes, apenas alguns mensalistas viviam lá. Além disso, o lugar não passou por manutenção, fazendo com que sua aparência antiga afastasse novos clientes.

Entretanto relatos de um museólogo, Ninger Marena, A remoção da estrutura de madeira estaria sendo feita sem critérios, dificultando a remontagem da casa em outro local.

Anteriormente ao fato ocorrido pouco foi feito para impedir o acontecido já que o grande interesse era aproveitar o loteamento, que foi adquirido por um grupo de empresários, utilizado para as instalações do hotel histórico, em construções de estruturas de características modernas, causando então uma revitalização do centro da cidade. Outra medida tomada foi a do senhor José Carlos Farina, advogado e ex-vereador da cidade de Rolândia, que entrou como uma ação judicial na tentativa de impedir o fato ocorrido.
Posteriormente a uma breve explicação da historia da cidade e seus monumentos, torna-se cabível de análise o conceito, ou mais basicamente o que seria um monumento histórico cultural, que é constituído por duas denominações os bens não materiais que são formados pela produção cultural de um povo, como por exemplo, os costumes, as musicas, danças, comidas típicas entre outros fatores. E os bens materiais que são subdivididos em duas modalidades, os bens moveis que são basicamente materiais móveis, como pinturas, esculturas, entre outros. E os bens imóveis que não são somente os imóveis em geral mas também abrangem também sua visibilidade e fruição da localidades em redor do edifício.
Segundo a fundação do patrimônio histórico e artístico de Pernambuco (FUNDARPE), embasada na constituição federal que descreve o patrimônio é constituído pelos bens materiais e imateriais que se referem à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, como sejam: as formas de expressão, os modos de criar, fazer, viver, as criações cientificas, artísticas e tecnológicas, obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços as manifestações artístico-culturais, os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e cientifico.
Mais precisamente o Brasil, por seu extenso território e sua variedade étnica, cultural, que influenciam nos modelos arquitetônicos das construções, e monumentos em geral por esse e entre outros fatores torna-se de suma importância a preservação desses bens materiais ou não materiais.  
Logo, observamos que a constituição protege o patrimônio cultural com o intuito de preservar os mesmos para analises e conhecimento das gerações futuras. Sendo assim o patrimônio cultural parte da herança comum da nação, a sua conservação é de interesse geral, tanto do poder público como dos proprietários e de toda a comunidade. Entretanto, a legislação indica que o Proprietário de um bem tombado é o primeiro responsável por sua integridade, cabendo-lhe, se não dispuser de recursos para sua conservação e reparação, comunicar a necessidade das obras à Secretaria de Cultura, que providenciará a devida execução. A preservação de bens patrimoniais deve ter por finalidade conservar traços da vida comum, quotidiana, e mostrar como vivia a sociedade em determinada época [...] a conservação de bens patrimoniais deve ter por objeto edificações que tenham um significado coletivo para determinada comunidade, pois se perpetua a memória de uma sociedade preservando-se os espaços utilizados por ela na construção de sua história. (TOMAZ.2010).
Até agora vimos que existem leis que protegem o patrimônio histórico cultural que, por conseguinte derivam uma serie de subdivisões que facilitam a proteção e o entendimento dessas leis de defesa ao patrimônio histórico cultural, porém o descaso em preservar esses bens materiais ou não materiais na população ainda é visível, logo, as autoridades competentes não são cobradas de maneira constante acarretando então na má conservação desses patrimônios.  Por esse e muitos outros fatores medidas devem ser tomadas e alguns passos devem ser seguidos para a conservação desses patrimônios culturais que podem servir como marco teórico na historia de uma nação ou de uma comunidade.

Porém influenciado pelo modelo econômico capitalista, o contexto histórico de uma certa região ou uma cidade é deixada de lado para satisfazer os anseios da sociedade, onde basicamente podemos caracterizar a demolição de um imóvel histórico para o aproveitamento de seu território na construção de um edifício habitacional, shopping centers, parques de diversão entre outros.
Para preservar um patrimônio cultural como já vimos, basicamente é necessário o empenho da sociedade em geral, conhecer os bens, sua importância e sua historia em relação a uma localidade através de pesquisas de campo e consultas históricas. Um segundo passo não menos importante é a utilização dos meios de comunicação como televisão, revistas científicas, jornais, portais na internet, lembrando também das instituições de ensino que tem a função de desenvolver o sentimento de valorização dos bens culturais e a reflexão sobre as dificuldades de sua preservação.
“Uma política de preservação não pode ter como objeto apenas a preservação dos bens patrimoniais em si, embora as situações em que essa política muitas vezes é estabelecida a forcem a isso”. (TOMAZ, 2010, p.??).
Cabe a nós acadêmicos, as autoridades competentes e as autoridades em geral preservar os bens patrimoniais culturais, sendo de caráter municipal, nacional ou internacional, pois através dele que fragmentos de nossa história são preservados e transmitidos de geração após geração, devemos também zelar por eles e cobrar as autoridades competentes na manutenção desses monumentos para que sempre fique viva a história das nossas cidades, regiões e países.
Abaixo poderemos então acompanhar uma fotografia tirada por José Carlos Farina advogado e ex-vereador da cidade de Rolândia.

FALTA POUCO PARA O DESMANCHE TOTAL



























Conclusão

Como podemos ver, mais uma vez o modelo econômico capitalista que nos cerca teve como função agir, com fins lucrativos, pouco se importando com a historia e também com os monumentos que marcam esses fatos ocorridos, sendo visível que mais uma vez o descaso da população em geral, também é visível que existem leis que protegem esses monumentos e que cabe a população juntamente com as autoridades competentes zelar pelas condições desses monumentos que reproduzem fragmentos da nossa história.