domingo, 26 de dezembro de 2010

OS "CONSERVAS" DE ESTRADAS EM ROLÂNDIA - PR.

OS "CONSERVAS"

Até o final da década de 70 a Prefeitura mantinha "os conservas estradas"....Era um grupo grande de operários que saiam à pé cada dia por uma estrada rural para (com enxadas e enxadões) abrir e limpar as caixas  armazenadoras de água pluviais...Estas caixas eram (e são) necessárias para evitar que as estradam inundem e impeçam o livre transito de pessoas, carroças e carros...O Sr. Aurelio Viali era um dos feitores destas turmas... 
O grande comandante era o Sr. Alexandre Lanfranchi.
JOSÉ CARLOS FARINA - ROLÂNDIA - PR.

NÃO HAVIA POSTOS DE SAÚDE

TEMPO DIFICIL PARA A SAÚDE

Até os anos 80 a prefeitura não mantinha nenhum posto de saude...Havia sómente a APMI que foi idealizada para atender as mães e bebes carentes...Eram tempos dificieis neste setor. Se a pessoa não tinha dinheiro para consultar com médico particular socorria-se de remédios caseiros, farmaceuticos,  benzedeiras e curadores. A maioria dos partos eram feitos por parteiras práticas. A primeira parteira de Rolândia foi uma senhora da família Shurmann. Depois veio a dona Henriqueta Lali.

JOSÉ CARLOS FARINA - ROLÂNDIA - PR.

O COMEÇO DO ASFALTAMENTO DA CIDADE DE ROLÂNDIA - PR.

Asfalto antigo

 Na administração Primo Lepri a asfalto chegou em frente a minha casa onde a minha mãe mora até hoje (em frente ao Nac - Av. Pres. Bernardes)...Lembro-me que o asfalto era planejado para durar décadas e suportar qualquer peso...A primeira camada era de pedra basalto (tamanho grande)..Os operários assentgavam estas grandes pedras com marretas pesadas. Nas frestas colocavam areia mista. Depois ia diminuindo....eram várias camadas....entre uma camada e outra espargiam piche quente...A molecada se divertia em ver a novidade...O Sr. José Murilo da Urbasa era o chefe da obra.... 

JOSÉ CARLOS FARINA - ROLÂNDIA - PR.

MOTONIVELADORAS "APLAINAVAM" AS RUAS EM ROLÂNDIA

CONSERTANDO AS RUAS
Lembro-me do Sr. Natal Mengali....todo o dia com a sua patrola (motoniveladora) nivelando as ruas de terra e as estradas de terra...todo o dia...Ele era super eficiente e competente...O melhor que conheci na prefeitura...Ele era dedicado...não perdia nem dia nem hora....trabalhou a vida inteira...Se aposentou e continuou a trabalhar
com motoniveladora para a Impacto asfalto...Eu era criança e gostava de ve-lo passando levando um monte de terra vermelha com a plaina...Ia soltando aquele cheiro gostoso de terra...(a melhor do mundo...) O Sr. Natal  merece um premio de um dos  melhores funcionários que a Prefeitura ja teve....JOSÉ CARLOS FARINA - ROLÂNDIA - PR.

AGUAR AS RUAS DE ROLÂNDIA

CAMINHÃO PIPA
 
Na década de 50 e 60 a prefeitura mantinha diariamente um caminhão pipa aguando as ruas...As crianças iam correndo atrás pegando peixinhos....Sim....peixinhos!...É que a prefeitura captava a água numa nascente onde era o antigo curtume e os pequenos lambaris vinham junto....dava pra fazer um fitrada (risos) Brincadeira....
Um dos motorista era o Sr. José Luiz...(lembro-me dele) 
JOSÉ CARLOS FARINA - ROLÂNDIA - PR.

SEU CARDOSO - LAÇADOR DE CACHORROS

SEU CARDOSO - UM HOMEM MUITO FORTE


O seu Cardoso, de saudosa memória, era amigo da família Farina. Ele era muito forte. Quando eu era vereador nos anos 80 tive o prazer de entrevistá-lo. A entrevista,  por escrito, encaminhei na época para o o nosso museu (não sei se guardaram como deviam). Entre outras coisas ele me disse que chegou aqui em 1934 quando tudo era mato. Ele foi um dos lenhadores que ajudaram a derrubar a mata virgem no perímetro central da cidade. Ele me disse que ajudou a derrubar a mata ali nas proximidades do Colégio Souza Naves. Depois ele trabalhou na abertura do leito da estrada de ferro. Ele relatou que usavam enxadões e picaretas. A terra era tirada de um lugar e levada por carroças puxadas por burros para outro lugar. Os burros eram ensinados. Era só carregar e dar uma voz de comando e eles iam sozinhos levar para o outro lado para descarregar. Seu Cardoso tinha como passatempo caçar "jacús" ali pra baixo do atual Colégio Santo Antonio. Nos anos 60, 70 e 80, seu Cardoso era o laçador de cachorros da carrocinha. Eu e os demais moleques da época torcíamos contra ele. Eu tinha ( e tenho ainda) dó do destino que os cães tinham. ( virar sabão). Mas a culpa não era dele. Ele era funcionário da prefeitura e cumpria com as ordens de seus superiores. Na época era assim que funcionava. Hoje nem carrocinha temos.

JOSÉ CARLOS FARINA - ROLÂNDIA - PR.,

NIKOLAUS SCHAUFF - FALA SOBRE TRADIÇÕES ALEMÃES

NIKOLAUS SCHAUFF

Nikolaus Schauff, um dos pioneiros da localidade. Aos 70 anos, o agricultor, que chegou à região em 1939, também viu seu pai, perseguido político por Hitler, voltar à Europa em 1950. Testemunha e protagonista do processo de colonização, Schauff elenca o que chama de “o que sobrou da influência alemã” na cidade: grupos folclóricos que têm seus pontos altos durante a Oktoberfest; sessões de filme em alemão no Centro Cultural Brasil-Alemanha e mesas-redondas no Clube Concórdia, locais em que os mais velhos se reúnem para preservar a cultura. Há ainda prédios históricos que datam do período de pujança que iniciou com o café, beneficiado pela terra roxa da região, que a fez ser conhecida como a “Canaã Brasileira”.
Nikolaus além de fazendeiro, foi vereador de 1982 a 1988, pres. da Corol, pres. do Club Concórdia e colaborador da antiga Fundação Arthur Thomas.

sábado, 25 de dezembro de 2010

LIVRO ASPECTOS HISTÓRICOS DE ROLÂNDIA - CLÁUDIA PORTELINHA SCHWENGBER

FOTO DA CAPA E DA ESCRITORA DO LIVRO



ROLÂNDIA - TERRA DE PIONEIROS - DR. ORION VILLANUEVA

EIS A FOTO DA CAPA E DO AUTOR  DO  LIVRO

FOTO INÉDITA DA ESTAÇÃO DE TREM DE ROLÂNDIA

FOTO INÉDITA DA ESTAÇÃO DE TREM DE ROLÂNDIA


CLIQUE EM CIMA DA FOTO PARA AUMENTAR.
OS MONTES DE LENHA AO LADO DOS TRILHOS ERAM PARA ALIMENTAR A "MARIA FUMAÇA". VEJAM "LÁ NA FRENTE" A CAIXA D´ÁGUA EXISTE NO LUGAR ATÉ HOJE.
VEJAM QUE DO LADO DE BAIXO DA LINHA DO TREM A FLORESTA AINDA ESTAVA INTACTA. DO LADO DE CIMA HAVIA AINDA UM BOSQUE COM UM EXEMPLAR DE ARAUCÁRIA.
TEXTO JOSÉ CARLOS FARINA

O TRABALHO DOS PIONEIROS

POR ETNIA

Na derrubada da mata, quem trabalhou mais foram os migrantes mineiros e baianos. É claro que muitos pioneiros de outros etnias também derrubaram a mata virgem.

No plantio, formação e colheitas de café e cereais foram os italianos seguidos dos japoneses, alemães e espanhóis.

No comércio foram os portugueses, árabes e judeus alemães.

Na utilização do capital (dinheiro) os judeus alemães. Muitos judeus alemães moravam nas fazendas mas sempre contaram com o trabalho de  lavradores brasileiros para a lida no campo.

No plantio de hortas e frutas foram os japoneses e suiços.

JOSÉ CARLOS FARINA

FOTO DA DERRUBADA DA MATA INÉDITA

VEJAM QUE INTERESSANTE
A Companhia de terras utilizou-se também deste trator esteira, além do trabalho braçal e de animais muares.
JOSÉ CARLOS FARINA

QUEM FUNDOU ROLÂNDIA ? By FARINA

APENAS A VERDADE

(foto de Hans Kopp)

Rolândia foi fundada pela Companhia de Terras Norte do Paraná, a partir de 1932. Os primeiros trabalhos de colonização a Companhia fez tudo sozinha: a)- Planejamento; b)- projetos; c)- mapas; d)- levantamento topografico; e)- demarcação de todos os lotes rurais e urbanos; f)- abertura de todas as ruas e estradas; g)- preocupação com construção de hotel; h)- construção da linha férrea e estação ferroviária; i) - venda dos lotes.
Pessoas como Koch Wesser, Johannes Schauff e Osvald Nixdorf contribuiram para as reservas de lotes em glebas separadas para alemães e judeus, ajudando-os nos primeiros anos da colonização. Os demais pioneiros italianos, japoneses, suissos, portugueses, brasileiros, e outros tiveram que se virar sozinhos. A maior parte das florestas foram derrubadas por trabalhadores braçais vindos do Estado de São Paulo e muitos mineiros e baianos.
Toda a colonização do norte do paraná foi muito bem organizada pela Companhia de terras. Quase nunca houve reclamação de áreas faltantes. Todos os diretores, funcionários e corretores da Companhia  eram  homens  de bem e honraram sempre a palavra e os contratos estabelecidos.
O norte do paraná só é o que é hoje graça ao trabalho e seriedade da Companhia de terras.
JOSÉ CARLOS FARINA

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

JOHANNES SCHAUFF ( PIONEIRO DE ROLÂNDIA )

JOHANNES  SCHAUFF


Nasceu em 1922 na aldeia de Stommeln (Colonia) alemanha. Após o colegial Schauff estudou filosofia. Atuou como diretor executivo da Sociedade para a Promoção da colonização interna, em Berlim.
Durante a República de Weimar Schauff no Partido do Centro Católico, elegeu-se deputado  de julho 1932 a novembro de 1933 pelo círculo eleitoral de 8 (Lienitz) do Reichstag. Após a ascensão dos nazistas, em 1933, ele foi perseguido e perdeu o cargo. Depois de perder seu mandato Schauff se mudou com sua família de volta para uma fazenda perto da fronteira com a Holanda.  O também pioneiro Erick Kock-weser negociou com a empresa inglesa  Paraná Plantation Ltda  uma reserva de lotes para colonos alemães na Gleba Roland.  Estes esforços culminou na fundação do assentamento Rolândia, no Paraná. Assim, Schauff adquiriu a Fazenda Santa Cruz que se tornou um centro de adaptação de jovens católicos vindos da Alemanha. Participou também das negociações que possibilitou a vinda de 150 familias da alemanha para o Brasil, a maioria de origem judia, e que estavam sendo perseguidas por Hitler, e que escaparam do extermínio. Em 1950 retornou a Europa estabecendo-se na Itália. Pelo seu trabalho em beneficio de refugiados no mundo inteiro Schauff foi condecorado por vários paises. Em Rolândia, juntamente com Max Hermann Maier e Henrique Kaplan idealizou a construção da Fundação Arthur Thomas (hoje Hospital São Rafael). Schauff escreveu varios livros entre eles  "25 anos de Rolândia, um estudo para a colonização do norte do Paraná. Schauff faleceu na alemanha em 1990. Teve 4 filhos no Brasil: Cristóvão, Tobias, Nicolau e Marcus e outros 5 filhos residem na Europa e Estados Unidos.
HANS KOPP - 1º  FOTÓGRAFO
Uma das  paixões de Kopp era fotografar as cidades do alto de uma árvore . Desmontava a câmera, colocava-a numa mochila e se preparava para uma aventura. Utilizando-se de técnicas de alpinismo, improvisava uma escada no tronco da árvore: à  medida que subia, pregava tabuinhas que serviam de degraus. Amarrado por uma corda, conseguia chegar ao topo. Lá, escolhia um galho firme, montava a câmera e passava o dia capturando imagens. Fotografou várias cidades da região e registrou do alto, Rolândia despontando no meio da mata virgem. Figura 46 - Do alto de uma árvore registrou Rolândia e Londrina, Duas cidades que despontavam em meio à mata virgem.
Orion Villanueva6, autor do livro Rolândia: Terra de Pioneiros (1974), conheceu Hans Kopp logo que se mudou para Rolândia, em março de 1948. Conforme relatou, apresentaram-no como o primeiro fotógrafo da cidade, que também era conhecido como o alemão que subia nas árvores. “Em nosso primeiro encontro, tentei falar em alemão com ele. Mas eu falava muito mal o alemão, ao contrário de Hans que falava muito bem o português. Ele era muito bem humorado e ainda brincou com a situação”, relembra Orion. Hans Kopp ficou conhecido como sendo de procedência alemã, por causa do idioma que falava, mas o alemão era a língua oficial da Áustria, seu verdadeiro país de origem. Villanueva conta que quis saber que idéia era aquela de subir em árvores para fotografar e Kopp respondeu: “estou fixando para o futuro as imagens de uma cidade que está começando”. Relatou que a maior dificuldade era subir com a câmera fotográfica. Ele tinha
receio de derrubar o equipamento, pois se quebrasse seria muito difícil consertá-lo. Ele justificava a paixão em registrar cidades dizendo que na Europa havia cidades milenares, que, infelizmente, não existia máquina fotográfica para eternizar as imagens da época que estavam começando, e sentia-se feliz em poder registrar, agora, o início das cidades do norte do Paraná. Segundo Villanueva, Kopp era um homem inteligente, culto, com formação européia e muito criativo. Fazia previsões sobre a cidade e dizia que, em pouco tempo,
aquelas casinhas de madeira que ele fotografava seriam substituídas por casas de tijolos. E que o café seria responsável pelo desenvolvimento rápido da cidade. “Quando soube que eu estava escrevendo o livro sobre Rolândia, ele me parabenizou e disse que eu estava eternizando nas palavras, o que ele eternizava nas imagens.” (CASSIA MARIA POPULIN). Nos anos 80 tive o prazer de receber a sua visita em meu escritório. Conversamos bastante sobre os primeiros anos em Rolândia e sua experiencia como pioniero em fotografia. Pena que na época não possuia filmadora. José Carlos Farina

ENCONTRO DE LOCOMOTIVAS DIESEL COM VAPOR


Encontro histórico nos anos 60.

TRENS E O NORTE DO PARANÁ - BY FARINA

TUDO COMEÇOU COM O TREM


A Companhia de Terras norte do Paraná pensou em tudo. Como a nossa terra argilosa se torna quase que intransponível em dias de chuvas, logo no começo a Companhia já iniciou os trabalhos da construção da ferrovia de Ourinhos a Londrina e depois com o tempo até Maringá. Apesar da floresta virgem os imigrantes e migrantes aqui chegaram trazendo tudo o que precisavam nos trens. As primeiras produções era exportadas pelos trens. Os primeiros animais (cavalos, gado, galinhas e porcos) vierem de trem. Não foi fácil construir a ferrovia no meio da selva, sem poder contar com máquinários modernos. A maior parte dos serviçoes eram feitos no enxadão e carregando a terra com carroças puxadas por muares. A estação de Londrina foi inaugurada em 1935, no mesmo dia em que a ponte sobre o rio Jataizinho foi inaugurada, dando passagem ao trem, que chegava a uma cidade que havia crescido muito desde sua fundação em 1929. No início de Londrina e do norte do Paraná tudo girava em torno dos trens. Quando a Maria Fumaça apitava lá na curva o chefe da Estação tocava um sino (que está lá até hoje) e muita gente vinha para conferir quem estava chegando e quem estava viajando. Todas as novidades chegavam no trem. Os homens iam lá para ver as mulheres. As mulherem iam para ver as roupas diferentes vindas de São Paulo. Outros iam ver só o trem, afinal era uma máquina que dava medo...aquele assopro quando o maquinista soltava o excesso de vapor....a molecada corria de medo. Muitos iam só para dar tchau para quem partia ( Era chique dar tchau para quem partia.) Bem, em resumo era isto...o trem fazia (e faz) parte de Londrina e de todo o norte do Paraná.
JOSÉ CARLOS FARINA - ADVOGADO (ROLÂNDIA)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

GEERT KOCH-WESER - PIONEIRO EM ROLÂNDIA - PR. BRASIL

A salvação na floresta

Norte do Paraná serve de refúgio a perseguidos dos nazistas, entre eles um menino que é hoje vice-ministro de Finanças da Alemanha



Lembrança
Geert Koch-Weser, hoje de volta à Alemanha, viveu na fazenda Veseroda entre 1934 e 1969 e ainda sente saudade dela
Os cabelos brancos como neve jogados para trás exibem uma fronte ampla com poucas rugas e uma fisionomia tranqüila, mas ligeiramente severa. A expressão marcante do rosto é dominada por olhos azuis muito claros, sugestivos, vivos. Olhos de quem pôde chegar aos 94 anos com aparência de pouco mais de 80, depois de atravessar, ora como testemunha, ora como ator, quase todo o século. O alemão Geert Koch-Weser, nascido em 1905 numa pequena aldeia da região de Bremen (Bremerhaven), nas margens do Rio Weser, mal consegue falar o português. Mas demonstra forte emoção quando lembra "dos mais bonitos anos" de sua vida, 35 ao todo, passados no norte do Paraná, onde ajudou a fundar o núcleo agrário e, mais tarde, a cidade de Rolândia, a cerca de 40 quilômetros de Londrina.

Resultado de uma das últimas levas da imigração alemã para o Brasil, iniciada há 175 anos, ainda no Império, com a fundação de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, Rolândia tem uma história singular. Foi síntese e espelho dos dramáticos anos 30 e 40. Começou como válvula de escape para o desemprego e a miséria que grassavam na República de Weimar, enterrada em fevereiro de 1933 pela ascensão de Hitler. Rolândia desenvolveu-se ao tornar-se um porto seguro para intelectuais, religiosos, políticos e judeus perseguidos pelo nazismo.

Em 1930, dois jovens agrônomos alemães, amigos de infância em Bremen, se encontraram nos Estados Unidos. Estavam de volta para casa. Geert vinha de experiências na Rússia, China, Japão e Canadá. Oswald Nixdorf, dois anos mais velho, chegara de Sumatra, na Indonésia, onde trabalhava com colonização. Especializado em agricultura tropical, ele também se aventurara mundo afora, em busca de experiência e sustento. "Disse a Nixdorf que meu pai, ministro na Alemanha, precisava de alguém para iniciar um projeto de colonização no Brasil", diz Geert, com uma lembrança ainda fresca, 70 anos depois.

Erich Koch-Weser, seu pai, deputado por um partido liberal e ministro do Interior do governo alemão, era, desde 1929, presidente da Sociedade de Estudos Econômicos do Ultramar. Criada em 1927, a instituição tinha como objetivo encontrar saídas para o grande desemprego na Alemanha. Através dela, Erich Koch-Weser negociou com os ingleses da Companhia de Terras Norte do Paraná a compra de uma gleba para instalar a colônia alemã. "Em 1932, meu pai enviou Nixdorf para que pudesse fazer os preparativos para a chegada dos primeiros colonos", lembra Geert.

Nixdorf foi mais do que entronizador. A Mata Atlântica era fechada, as condições de trabalho severas. "Para os colonos, a maioria desorientados, ele foi um conselheiro muito camarada, altruísta e, com seu grande otimismo, encorajador", disse Geert em depoimento sobre Rolândia para o Instituto Hans Staden, em 1986. Ao todo, 400 famílias alemãs ou de origem alemã foram para a região. A maioria era de colonos nascidos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Cerca de 80 famílias, que chegaram entre 1932 e o início da Segunda Guerra, eram de católicos, protestantes, políticos, intelectuais e judeus que fugiam do nazismo. Entre eles, o próprio Erich Koch-Weser, o filho Geert e o mais jovem deputado alemão da época, Johannes Schauff, ligado à hierarquia católica. Anos depois, muitos fizeram o caminho de volta, como o próprio Geert, seu filho Caio Koch-Weser, hoje vice-ministro de Finanças da Alemanha, e o amigo Bernd Nixdorf (leia matéria).

Antes de deixar a Alemanha, em 1939, Schauff representava a empresa que controlava a Companhia de Terras Norte do Paraná, a Parana Plantations, sediada em Londres. Geert lembra ter sido intermediário de uma operação concebida por Erich Koch-Weser ou Oswald Nixdorf, conhecida como "operação triangular". Por ela, 25 famílias judias puderam escapar do destino trágico em campos de concentração. Também foram beneficiados não-judeus. Com a intermediação da empresa, indústrias alemãs vendiam aos ingleses material para a construção da ferrovia que ligava a região à Alta Sorocabana. Os emigrantes pagavam o material, após vender suas propriedades, e recebiam cartas com que podiam adquirir lotes na colônia de Rolândia. "É comum vermos até hoje, no material ferroviário, registro da procedência alemã", diz Klaus Nixdorf, filho de Oswald, morador de Londrina.

Foi graças a essa operação que a família de Cláudio Kaphan pôde sair de Sczezin, na Pomerânia, atual região polonesa, e fixar-se em Rolândia. Hoje com 73 anos, Kaphan tinha 10 quando chegou ao Brasil. "Como meu pai era agricultor na Pomerânia, não tivemos tanta dificuldade para trabalhar a terra", lembra Kaphan. Contrastavam com as outras famílias judias e alemãs, chefiadas por representantes da intelectualidade berlinense. Mas o futuro estava lançado e convinha adaptar-se. Como se adaptaram os herdeiros de Schauff, entre eles o filho Nicolau e irmãos. Dono de fazenda em Rolândia, Nicolau Schauff foi um dos fundadores de uma das mais bem-sucedidas cooperativas agrícolas do país, a Corol, hoje presidida por um descendente de italianos.

Ironicamente, quem mais teve de lutar para vencer a adversidade foi o precursor Oswald Nixdorf. Enquanto a maioria ganhava dinheiro com o boom do café, na década de 50, Nixdorf sustentou um processo de dez anos contra o Estado brasileiro para reaver suas terras. Acusado durante a guerra de ser representante do governo nazista, amargou a expropriação e seis meses de prisão em Curitiba. Quando conseguiu recuperar a fazenda, o boom do café havia passado. Até hoje existem feridas abertas entre os que participaram da saga de Rolândia, embora elas já não sangrem. Nixdorf é figura polêmica entre algumas famílias. Uma ampla reconstituição histórica ainda está por ser feita.
Edmundo M. Oliveira, de Munique e Rolândia

sábado, 11 de dezembro de 2010

ROLÂNDIA - DÉCADA DE 30

Rolândia



O primeiro lote urbano vendido pelos ingleses em Rolândia foi adquirido pelo alemão Elmar Kirschnich, em 1934. Em 1932, lotes rurais já haviam sido vendidos à imigrantes japoneses. Rolândia é o maior centro de imigração alemã do Norte do Paraná, porém a maioria dos colonizadores que aqui vieram na década de 30 eram brasileiros e depois italianos.. Outros focos foram Nova Dantzig, Neu Danzig e Heimtal.

Emancipada de Londrina em 1943, com o nome de Caviúna. Voltou a se chamar Rolândia em 1947, após o fim da Segunda Guerra Mundial.

domingo, 5 de dezembro de 2010

EX-PREFEITO PRIMO LEPRE DE ROLÂNDIA - PR.

PRIMO LEPRE


Convivi com Primo Lepre de 1982 a 1988 quando fomos colegas vereadores. Pertencíamos a grupos rivais. Eu do grupo de Perazolo e ele do grupo de Eurides Moura. O melhor amigo dele nesta época era o vereador Nelson Armacollo. Estavam sempre juntos. Primo era inteligente e demonstrava amar muito Rolândia. Foi um bom vereador e meu saudoso pai falava que ele foi também um bom prefeito. Tive só uma discussão com ele em nosso tempo de Câmara, mas logo reatamos a amizade que perdurou até o fim. Primo faleceu com noventa e poucos anos, e poucos dias antes do falecimento ainda fazia longas caminhadas e frequentava bailes na vizinha cidade de Londrina, todo sábado. Gostava de conversar e dar boas risadas. Na época em que convivi com ele lembro-me que os vereadores (eu também) zuávamos (brincávamos) muito com ele e ele sempre levava na "esportiva".
JOSÉ CARLOS FARINA

EX-PREFEITO AMADEU PUCCINI DE ROLÂNDIA - PR.

AMADEU PUCCINI




Há muito tempo entrevistei o saudoso Amadeu Puccine. Entre outras historias ele contou uma sobre um capitão de polícia que obrigava todo mundo a se filiar e trabalhar para o PRB. Ele era filiado ao PTB e não aceitava imposição de ninguém. Uma vez o pessoal do PRB fez um churrasco lá pelos lados de Sao Rafael e o convidou. Ele aceitou. O levaram de camionete. Estavam ele e outros convidados em cima da carroceria. Chegando ao local Amadeu viu o tal capitão agredindo pessoal (torturando) para que assinassem a ficha daquele partido. Ai, o nosso político botinudo (como era conhecido) fugiu e veio a pé embora, sem provar do churrasco do PRB. Tinha (e tenho) admiração por Amadeu Puccine. Grande alma. Grande cidadão. Grande político. Político honesto. Serviu e serve de exemplo até hoje.  JOSÉ CARLOS FARINA - ROLÂNDIA - PR.

domingo, 28 de novembro de 2010

ROLÂNDIA - JOHANNES SCHAUFF E KOCH- WESER - ALEMÃES

Texto Lucius de Mello - foto by FARINA

Johannes e Erich Koch-Weser passaram a trabalhar para a Paraná Plantation. Tinham a missão de ajudar a vender as fazendas cobertas por matas virgens para os alemães interessados em viver no Brasil. Surgiu, então, a ideia da "Operação Triangular": as famílias judias compravam peças como trilhos, parafusos e vagões dos fabricantes alemães em nome dos ingleses e, em troca disso, recebiam títulos de terras em Rolândia. Os judeus depositavam o dinheiro na conta da Companhia Siderúrgica alemã Ferros Stahl, que repassava a quantia em trilhos e peças ferroviárias para a inglesa Paraná Plantation, uma das acionistas da Companhia de Terras Norte do Paraná.
De 1933 a 1938, foram vendidas 323 propriedades para imigrantes de origem alemã. Nesse mesmo período, não é possível saber o número exato de refugiados judeus que foram beneficiados pela "Operação Triangular", visto que as estatísticas se referem somente às nacionalidades. Mas estima-se que das 400 famílias germânicas que moravam na colônia, 80 eram de judeus classificados como: 10 puros, 15 considerados judeus por Hitler, 10 políticos e 45 judeus de religião católica (aqueles que haviam se convertido ao catolicismo).
O trem salvador chegava a Rolândia trazendo famílias assustadas com o mundo novo e selvagem. Afinal, os refugiados judeus tiveram de trocar a vida confortável e sofisticada que levavam nas cidades alemãs, como Berlim, Frankfurt e Düsseldorf, para viver no meio da mata fechada, sem luz elétrica, rede de água e esgoto, longe de hospitais, escolas e teatros. O grupo era formado por intelectuais, políticos, advogados, engenheiros, artistas,médicos, agrônomos, físicos, botânicos. Profissionais urbanos que, de uma hora para outra, tiveram de aprender a sobreviver no meio do nada, plantar e colher a própria comida, criar porcos, galinhas, vacas e cavalos. Mas, para suportar a saudade da vida urbana que deixaram para trás, trouxeram com eles caixas e mais caixas de livros, roupas luxuosas e obras de arte.
Vagner Volk repetia o que lhe aconteceu no primeiro dia em que pisou em Rolândia, em novembro de 1935. Contou que no trajeto até o hotel, ele e a família tiveram de passar bem na frente da Escola Alemã e viram o culto nazista realizado pela turma de Oswald Nixdorf. A suástica imponente, hasteada e sendo adorada por todos ali, os gritos de Heil Hitler! "Imaginem vocês, eu vendo e ouvindo tudo aquilo acontecendo aqui na selva brasileira, a milhares de quilômetros de distância da Alemanha. Meus amigos, esse pobre judeu aqui quase enfartou. O mundo todo está virando nazista, pensei. Eles estão por toda parte! Será que de nada adiantou fugir da Alemanha?", indagou Volk.
Em Rolândia, durante a Segunda Guerra, a polícia e os imigrantes contavam os prejuízos. Principalmente nos últimos momentos do conflito, as pessoas consideradas súditas do Eixo sofreram violência aqui no Brasil. Com raiva da Alemanha, os brasileiros invadiram lares, quebraram portas, janelas, saquearam casas e lojas que pertenciam aos alemães. Bateram e apedrejaram em quem ousava sair às ruas.
Com o fim da guerra, a paz voltou a reinar em Rolândia e os imigrantes puderam levar uma vida mais tranquila. Hoje, todos os refugiados judeus que chegaram adultos naquela época já estão mortos. Os que vieram para cá jovens e crianças, já são idosos, mas guardam o passado vivo na memória. A maioria deixou a cidade paranaense para viver principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Santos, Curitiba, Estados Unidos e Europa. Mas há quem tenha criado raízes na terra vermelha e que não deseja deixar Rolândia. Refugiados que permaneceram nas fazendas, morando na mesma casa de madeira, grande e acolhedora. É o caso da senhora Inge Rosenthal, a única refugiada de Rolândia que foi salva pelo Kindertransport (missão de resgate que salvou a vida de milhares de crianças judias que foram levadas para a Inglaterra), quando ainda era menina.
Lucius de Mello é jornalista, pesquisador do LEER/USP (Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação da Universidade de São Paulo) e autor do livro A travessia da terra vermelha - uma saga dos refugiados judeus no Brasil (Ed. Novo Século).

ROLÂNDIA - RAINHA DO CAFÉ

ROLÂNDIA - SEMPRE SERÁ A RAINHA DO CAFÉ

                                                               FOTO BY FARINA
Até a metade da década de 70 Rolândia foi considerada a Rainha do Café. O Município cultivava  café em 90%  do seu território. A população na época chegou a 65.000 habitantes. Quase todos os  proprietários agrícolas contratavam porcenteiros ou meeiros para a lida das plantações. A cidade, os distritos e os "patrimonios" eram movimentados. Aos sábados dezenas de  carroças e charretes estacionados em frente as portas comerciais. As festas e quermesses da cidade e distritos eram super animadas. Os bailes então nem se fala. Muitas moças bonitas....Tínhamos muita fartura...corria muito dinheiro no comércio. Depois da grande geada negra de julho de 1975 Rolândia partiu para outro rumo. Hoje temos menos habitantes, uma zona rural deserta de gente, mas temos uma industria diversificada e competitiva. Nosso comércio está bastante atraente com lindas lojas. Falta apenas um cuidado maior com o meio ambiente, com as nossoas árvores, bosques e rios e uma melhor limpeza e cuidados com ruas e praças.
JOSÉ CARLOS FARINA

domingo, 21 de novembro de 2010

PRIMO LEPRE ( LEPRI ) E EQUIPE

"Em pé, das esquerda para a direita: Yoshio Sakiyama, Estanislau Cretti Filho, Padre Agius, Pedro Polon, Santo Antonio Filho, Mario Jardim, Francisco Garcia Netto, menino filho do Arthur Kunioshi, José Constantino Torres, Arthur Kunioshi, Denair, Tereza Nishida, Abigail Raio Xavier, Maria Pincelli de Freitas, Filha do Garcia, Claudemir Gatti, Fukahori (?), Valentim Filiput.Sentados  o prefeito Primo Lepre e a dra. Maria de Lourdes.Foto cedida por Simone Cruz.

Observação: O Primo Lepre (de quem era amigo) sempre manteve esta mesma aparência, até o dia em que Deus o levou quando tinha mais de 90 anos. E ele ainda tinha muita saúde pra fazer as suas caminhadas e dançar todos os sabados. Deus o tenha. Foi um grande cidadão e um bom ser humano. Quando companheiros de Câmara Municipal (1992 a 1988) uma vez só discutimos. Mas logo voltamos a nossa amizade que perdurou até o fim. (José Carlos Farina)

sábado, 20 de novembro de 2010

HISTÓRIA DE ROLÂNDIA

Distante aproximadamente 25 km de Londrina, na região norte-paranaense, Rolândia foi em princípio um “patrimônio” conforme as diretrizes da Companhia de Terras Norte do Paraná, CTNP.
O solo de terra roxa permitiu que ela fosse inserida no processo econômico que atingiu o Estado, o cultivo de café, atraindo imigrantes de várias partes da sociedade mais ampla, inclusive do exterior.
Os primeiros moradores chegaram no início dos anos trinta, provenientes da Alemanha e fixaram-se na Gleba Roland. No mesmo período os japoneses ocuparam a Gleba Cafezal. Pouco mais tarde é a vez de paulistas, mineiros e nordestinos, além de italianos, espanhóis, portugueses, suíços e outros.
O início da formação da cidade se dá em 1934 com a construção do primeiro hotel, o Hotel Rolândia. O pequeno núcleo urbano vai se ampliando com o Hotel Estrela, a confeitaria e a padaria do Max Dietz, o escritório da Cia. de Terras, as estações ferroviárias e rodoviária, junto com as primeiras moradias e casas comerciais.
Em 1935 é inaugurada a estrada de ferro ligando Rolândia a Londrina. Para a localidade, o trem foi fator de mudança, propiciando o crescimento e o desenvolvimento da região.
Inicialmente, Rolândia se torna Distrito de Londrina em 1938. Já o Decreto de criação do município é de dezembro de 1943.
Como ocorreu em toda região norte-paranaense, Rolândia vai encontrar na agricultura, e mais especificamente no café, o modelo de seu desenvolvimento econômico. O ciclo do café, que se estende até os anos 70, modifica a paisagem, fazendo surgir no lugar da exuberante mata, grandes cafezais, oportunizando trabalho para inúmeras famílias e a formação de riquezas.
Foram os paulistas e mineiros que implementaram os contratos de parceria agrícola, essa relação de trabalho era desconhecida pelos alemães, porém, logo foi adotada nas suas propriedades rurais, já que se constitui numa forma de cultivar a terra sem despender capital.
A cidade formava-se e crescia com a cafeicultura. São diversas máquinas de benefício de café, cerealistas, serrarias, que compõem o comércio local, além de casas de “secos e molhados”, isto é, “vendas” onde se encontrava tudo o que era necessário como alimentos, roupas, sapatos, artigos para o trabalho agrícola (enxadas, peneiras, ferramentas), etc.
Também se instalam as escolas, as pensões, agências bancárias, clubes recreativos ou de lazer e os profissionais liberais, entre eles médicos, dentistas, advogados.
Ainda hoje, a agricultura é a responsável pela economia do município, O cultivo de soja, milho, cana-de-açúcar, café, bicho-da-seda, laranja, mandioca, são os principais produtos agrícolas, ao lado de algumas indústrias: torrefação de café, usina de álcool e açúcar, móveis, doces, fécula de mandioca, curtumes, abatedouro de aves, etc.
Voltar os olhos para o passado significa evocar os acontecimentos políticos na Alemanha, que antecederam a Segunda Guerra Mundial e fizeram com que parte da população alemã procurasse outras localidades para reconstruir a vida. A história de Rolândia está ligada a essa realidade. São imigrantes que deixaram o seu país de origem por motivos econômicos, políticos ou raciais. Dentre eles vieram os cidadãos que ocupavam cargos de destaque na política e profissionais liberais: juristas, médicos, economistas, engenheiros, professores universitários. A presença destes imigrantes deixou referências significativas, quer no aspecto sócio-cultural, quer no econômico.
1934 - Assim instalaram os pioneiros. Num rancho feito de palmito e coberto de folhas de palmito ou de lona. O fogão era uma trempe no quintal, água da mina ou rio mais perto, o resto ficava por conta da fibra e força de vontade dos pioneiros.
Construção do Rancho da Granja Experimental Nixdorf (foto abaixo), denominada "Casa de Recepção", com a finalidade de receber os imigrantes alemães que para cá se dirigiam a partir de 1933.
A presença desses imigrantes (engenheiros, médicos, juristas, professores, entre outros) deixou sinais, quer no aspecto cultural, quer no aspecto econômico, destacando aqui a sua participação na construção da estrada de ferro que liga a região ao Estado de São Paulo (Ourinhos). Nesse processo de emigração, que vai até o início da Segunda Guerra Mundial, o governo alemão impôs novas determinações proibindo a saída de dinheiro da Alemanha. Para resolver tal impasse foi realizado um intercâmbio entre a Cia. de Terras e os imigrantes.
Com a ajuda de Erich Koch Weser e Johannes Schauff - representantes da companhia inglesa na Alemanha - os alemães e judeus/alemães forneciam o dinheiro para compra do material para a construção da estrada de ferro e, em troca, recebiam títulos conhecidos como "cartas de terra", que davam o direito de adquirir terras em Rolândia. Alguns desses lotes ultrapassavam a área estabelecida pela CTNP (Companhias de Terras Norte do Paraná), que era de 50 alqueires cada um. Como esses alemães já eram detentores de propriedades e outros bens na Alemanha, tiveram o direito de comprar lotes maiores. Assim, a Cia. de Terras efetuou o negócio do material com a Alemanha e não com a Inglaterra. Esses imigrantes deixaram o seu país como proprietários de terras em Rolândia, o que vai diferenciá-lo de outros que se fixaram na região. Os alemães marcaram a sua presença, mas não se constituem, até hoje, na maior parte da população do município. Vencidas as primeiras dificuldades com a derrubada da mata e com a construção do "rancho de palmito", iniciava-se uma agricultura de subsistência, embora os imigrantes alemães não detivessem o conhecimento desta prática, pois boa parte deles era oriunda de atividades urbanas. Para facilitar o contato entre si e viabilizar atividades comunitárias, foi criada a Associação Colônia Roland. Era compromisso dessa Associação a conservação de estradas municipais, construção de estradas secundárias e escolas, bem como a contratação de professores para atender a Escola Alemã e a promoção de eventos sócio-culturais.
Em 1937, esta associação foi transformada na Sociedade Escolar Alemã e em 1947 passou a ser denominada de Clube Concórdia (ao lado). Ferramentas, sementes, mudas de diversas espécies, bem como a comercialização de produtos agrícolas estavam à disposição dos alemães na Sociedade Cooperativa dirigida por Edwin Ratke. Como os alemães moravam em propriedades agrícolas, distante entre si alguns quilômetros, eram freqüentes as reuniões ou palestras nessas localidades.
Nesses encontros tinham a oportunidade para cantar, apresentar músicas, peças de teatro e, ainda, dançava-se bastante. A preocupação com as questões religiosas fez nascer, no início de 1937, a comunidade Evangélica Luterana de Rolândia e a Capela de São Rafael. Hans Ziecher, primeiro pastor, ficou à frente da comunidade por vinte e seis anos. Ele atendia também comunidades luteranas de outras localidades da região norteparanaense. Por isso, a história da comunidade luterana de Rolândia se confunde com a história dos luteranos no Norte do Paraná. Já a Capela de São Rafael, localizada na zona rural, foi inaugurada no dia de Pentecostes e lembrava as igrejas das pequenas localidades européias. A partir de 1958, a velha igreja dá lugar a uma nova construção de alvenaria com a torre revestida de pedras. Após a Segunda Guerra Mundial, a cafeicultura encontrou as condições favoráveis para o seu desenvolvimento nesta região. Rolândia, um dos grandes produtores de café, ficou conhecida como a "Rainha do Café"
Nesta época, comerciantes de Bremen, na Alemanha, visitaram a cidade para conhecer de perto os cafezais, cujo produto era comercializado por eles. Como conseqüência deste intercâmbio comercial, a cidade recebeu em 1957, uma cópia da Estátua do Roland (sobrinho de Carlos Magno e grande guerreiro em busca de liberdade). O nome Rolândia tem sua origem em Roland e significa liberdade ou a busca de um lugar onde os alemães pudessem reconstruir suas vidas, longe das perseguições políticas, religiosas e raciais.São os primeiros moradores alemães da década de 30 junto com a direção da Cia. de Terras que "batizaram" a localidade de Rolândia. Com o passar dos tempos os alemães não só se preocupavam com o aspecto cultural. Muitos demonstraram o desejo de colaborar em algo que pudesse manifestar a sua gratidão ao Brasil. Assim, em 1957, por ocasião das comemorações dos 25 anos de fundação do município, oitenta fazendeiros e sitiantes, quase todos alemães, criaram a Fundação Arthur Thomas, com a finalidade de prestar assistência médica e social ao trabalhador rural do município. Nessa época, esses trabalhadores não tinham, por parte do governo brasileiro, nenhum tipo de assistência . O nome da Fundação é uma homenagem ao diretor da Cia. de Terras, Arthur Thomas. Em 1964, adquiriu um pequeno hospital na cidade de Rolândia, com a verba cedida pela "Misereor" - entidade de assistência social mantida pela Igreja Católica na Alemanha. Por imposição dessa entidade a propriedade e as edificações foram registradas no nome da Mitra Arquidiocesana de Londrina. Em 1967 a Fundação ampliou o atendimento a todos os trabalhadores rurais do município (Criação da FUNRURAL). E a partir de 1978, através do convênio com a INAMPS, os trabalhadores urbanos passaram a usufruir também do hospital. Esta situação perdura até os dias de hoje. Outra preocupação dos alemães foi a educação. Desde o início de sua chegada em Rolândia, muitos mantiveram o professor nas suas propriedades, a fim de proporcionar a seus filhos e aos filhos dos seus vizinhos um tipo de ensino que valorizava a educação européia. A Kinzelschule - Escola Kinzel - foi a última do gênero. Como eram escolas não reconhecidas pelo governo brasileiro, os alunos tinham dificuldades para continuar os estudos em outras instituições. Em 1968, foi constituída a Sociedade Escola Roland, liderado por Hans Kirchheim, com o objetivo de ensinar e cultivar a língua alemã. A sua sede foi construída, com ajuda da Alemanha, num terreno cedido pela Prefeitura Municipal. É mantida pelos pais dos alunos e o seu gerenciamento fica sob a responsabilidade da sociedade mantenedora, cuja diretoria é eleita a cada dois anos.
Como Cambé, também um ex-distrito judicial de Londrina, Rolândia obteve sua emancipação em 1943, ocorrendo a instalação do novo Município no dia 1º de janeiro de 1944. O nome porém, era outro: Caviúna (devido a Segunda Guerra Mundial, a exemplo de outras cidades brasileiras, cujos nomes eram de origem germânica, teve de mudar seu nome). Quase quatro anos depois receberia a sua denominação definitiva: Rolândia. E é justamente esta cidade do Norte do Paraná, distante cerca de 18 quilômetros de Londrina, que mantém viva a saga dos imigrantes japoneses em terras longíquas. Ali está o Museu da Imigração, contando a história através de documentos, fotos, depoimentos, filmes e inúmeros objetos que atravessaram o tempo para mostrar essa aventura às novas gerações. Yoshio Sassano chegou aqui, proveniente do Estado do Amazonas, em 1932, adquiriu terras na Gleba Cafezal. Sassano abriu seu lote e plantou café. No ano seguinte, mais quatro famílias vieram se juntar a ele naquela localidade - Tadashiro Aoyama, Kiiti Teshima, Tatsujiro Tagushi e Massaru Hirayama. Na metade final de 1933, outras famílias instalam-se na nova Seção, localizada às margens do Ribeirão Cafezal. Yoshio Sassano, o pioneiro, deixaria a Colônia no ano de 1935 para fixar residência em Marialva. Antes, porém, reuniu 17 jovens em sua casa e formou a Associação dos Jovens da Seção, presidida no início por Takeo Teshima. Nessa época, os moradores da região estavam vinculados à Associação Nipônica de Nova Dantzig (Cambé). Surge então a necessidade da escola. Cada família faz uma pequena doação e um terreno é adquirido. Entusiasmados, os jovens passam a desenvolver atividades na área comprada para a construção da escola. Cultivam lavouras e revertem o lucro para esse fim. Em dezembro daquele ano a escola fica finalmente pronta e o professor Massassuke Kato dá início às aulas no mês seguinte. Em fevereiro de 1937, a colônia funda sua própria Associação, tendo na presidência Jukiti Yamada. A partir daí, as coisas começam a evoluir. A Associação coordena, por exemplo, sistemas de mutirão para a conservação das estradas que dão acesso à cidade e dos carreadores das propriedades. O fato mais auspicioso de 37, porém, foi o surgimento do jornal da Associação, cujo primeiro número foi editado em dezembro. Dos 17 associados de então, seis tinham vindos do Japão com o curso ginasial completo, o que era fato raro na época. Em 1940, a Colônia Cafezal tinha cerca de 60 famílias instaladas. Logo depois, durante a Guerra, as atividades da Associação e da escola foram interrompidas. Com o término do conflito, a escola foi reativada e passou a ministrar também aulas de língua portuguesa. O ensino prioritário dentro da Colônia.
OUTRAS ETNIAS - Além dos alemães, logo no início aportaram em Rolândia centenas de famílias italianas e japonesas e em quantidade menor famílias judias, libanesa, portuguesa, hungara e espanhola. 
IGREJA EVANGÉLICA - A primeira igreja evangélica de Rolândia foi fundada por alemães em 1935 (Igreja Metodista) onde hoje funciona a Igreja de Cristianismo Decidido. www.achetudo.com

PREFEITOS DE ROLÂNDIA - PR.

PREFEITOS DE ROLÂNDIA
Ari Correia Lima (28 de janeiro de 1944 a 5 de março de 1945)

Ivahy Martins (5 de março de 1945 a 8 de julho de 1945)

João de Jesus Neto (8 de agosto de 1946 a 2 de dezembro de 1946)

Adalberto Junqueira da Silva (3 de dezembro de 1946 a 10 de abril de 1947)

Domingos de Oliveira Neves (23 de abril de 1947 a 9 de dezembro de 1947)

Adalberto Junqueira da Silva (11 de dezembro de 1947 a 9 de dezembro de 1951)
Pedro Liberti (9 de dezembro de 1951 a 12 de janeiro de 1955)

Primo Lepre (9 de dezembro de 1955 a 12 de setembro de 1959)

Amadeu Puccini (9 de dezembro de 1959 a 9 de dezembro de 1963)

 Primo Lepre (9 de dezembro de 1963 a 9 de dezembro de 1968)

José Maria Galvão (1 de fevereiro de 1969 a 30 de abril de 1969)

Horácio Cabral (31 de julho de 1969 a 10 de dezembro de 1970)

Pedro Scoparin (10 de dezembro de 1970 a 31 de janeiro de 1973)

Orlandino de Almeida (31 de janeiro de 1973 a 1 de fevereiro de 1977)

Pedro Scoparin (1 de fevereiro de 1977 a 10 de maio de 1982)

Yukimassa Nakano (10 de maio de 1982 a 1 de fevereiro de 1983)

Eurides Moura (1 de fevereiro de 1983 a 31 de dezembro de 1988)

José Perazolo (31 de dezembro de 1988 a 31 de dezembro de 1992)

Leonardo Casado (31 de dezembro de 1992 a 31 de dezembro de 1996)

José Perazolo (31 de dezembro de 1996 a 1 de janeiro de 2001)

Eurides Moura (1 de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2008)

Johnny Lehmann (1 de janeiro de 2009 a atualidade)

COMEMORAÇÃO DO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA EM ROLÂNDIA

VEJAM O VÍDEO

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Carroças com tração animal ( Rolândia-Pr. ) década de 60

Até o início dos anos 70 a prefeitura de Rolândia usava (além dos caminhões) algumas carroças puxadas por burros para a limpeza pública. Lembro-me que o próprio carroceiro varria a rua e depois chamava o burro que vinha sozinho até onde ele estava. Após isso o trabalhador jogava o lixo para dentro da caçamba da carroça e continuava a varrição. E o burro sempre atento ao chamado. Na foto vemos o funcionário Valdemiro Amaral com o seu filho. Foto do acervo da Familia Amaral cedida por Simone Cruz

FOTO ANTIGA DE ROLÂNDIA - PR.

ENVIADA POR SIMONE CRUZ

ATUAL PRAÇA CASTELO BRANCO

AGRADECEMOS ESTA VALIOSA FOTO.

FOTOS ANTIGAS DE ROLÂNDIA - PR. ANOS 30 a 60

CAMINHÃO DA PREFEITURA EM PLENO CENTRO. O SENHOR DE CALÇA CLARA É O  SENHOR VALDEMIRO AMARAL. FOTO ENVIADA SIMONE CRUZ (NETA).





























DOMINGOS MARIGONDA EM 1952

FOTOS DE ROLÂNDIA DE 1970 ATÉ 2015



































FOTO By POPOLIN.
FOTO By POPOLIN













By FARINA